Uma metodologia que acelera a multiplicação de mudas de mandioca com sanidade e identidade genética asseguradas está sendo transferida pela Embrapa e parceiros aos povos da Terra Indígena Yanomami (TIY), nos estados do Amazonas e Roraima. A iniciativa, que inclui a introdução de mudas de banana e abacaxi mais produtivas, faz parte de um plano de segurança alimentar e nutricional do governo federal.
A Embrapa coordena tecnicamente as atividades até 2027, com recursos de R$ 2,2 milhões, desenvolvendo e transferindo técnicas de produção de mudas com sanidade e genética superiores. Isso envolve a implantação de viveiros e câmaras de termoterapia, seleção de variedades e capacitações para as comunidades.
Diante da insegurança alimentar na TIY, o MDA tem investido em ações para melhorar a qualidade de vida dessas comunidades. As pesquisas da Embrapa foram definidas a partir das demandas das populações, com foco no fortalecimento de culturas como banana, abacaxi e mandioca. “A partir de um processo de escuta, considerando cada realidade, a Embrapa está avançando na identificação e transferência de tecnologias de produção de mudas, respeitando a forma de plantar, de viver e de colher dos indígenas”, afirma Marenilson Batista da Silva, diretor de Assistência Técnica e Extensão Rural do MDA.
O método EPMM (Estiolamento para Produção de Mudas e Miniestacas de Mandioca) permite multiplicar mudas em larga escala, preservando a identidade genética e a sanidade vegetal. Além disso, estão sendo implantadas Unidades de Referência Tecnológica (URTs) para capacitação de extensionistas e comunidades locais.

O projeto também inclui o resgate de materiais crioulos e a validação de materiais de qualidade superior desenvolvidos pela Embrapa, como a banana BRS Princesa, resistente à Sigatoka-negra. A expectativa é aumentar a produção de alimentos e fortalecer a soberania alimentar dos povos Yanomami.
Em março, o MDA promoveu um intercâmbio de experiências nos projetos de segurança alimentar na TIY, com visitas técnicas às comunidades-polo e a participação de lideranças indígenas. “Criamos esses polos para facilitar o atendimento porque não temos condições de chegar em todas as comunidades”, explica o professor Eurides Francisco Teixeira Júnior, do Ifam.
Com informações do Portal Amazônia.