Garantir a segurança de crianças e adolescentes no ambiente digital é um dos maiores desafios para as famílias brasileiras na atualidade. Para ajudar os responsáveis a navegarem por esse cenário, a jornalista e pesquisadora Renata Cafardo, autora do livro \”O algoritmo das famílias\”, apresentou recomendações essenciais no podcast \”O Assunto\”.
\n\p>Segundo a especialista, a supervisão deve ser parte da rotina da casa e, acima de tudo, adaptada à idade de cada filho. A ideia não é exercer um controle rígido e sem sentido, mas sim supervisionar a experiência digital para evitar riscos.
\n\p>A primeira medida recomendada é a configuração correta do aparelho. Renata alerta que o dispositivo deve estar associado à idade real do usuário, e não à de um adulto. Isso garante que os filtros de proteção nativos do sistema operacional sejam aplicados corretamente para aquela faixa etária.
\n\p>Além da configuração básica, o uso de controles parentais é fundamental. Existem ferramentas específicas e recursos nos próprios sistemas que permitem acompanhar a atividade digital e receber alertas sobre conteúdos sensíveis. A jornalista cita o aplicativo Qustodio como exemplo, que notifica os pais sobre pesquisas relacionadas a violência, pornografia e saúde mental, além de monitorar o histórico do YouTube.
\n\p>Outro ponto polêmico, mas necessário, é o acesso às senhas. Para a pesquisadora, os responsáveis devem conhecer a senha do celular dos filhos. \”Não é controlar, mas é supervisionar essa experiência digital\”, afirma Renata, destacando que não deve existir a expectativa de privacidade absoluta para menores em ambientes de risco.
\n\p>O acompanhamento de aplicativos, como o WhatsApp, também deve ser periódico e natural, integrando-se ao dia a dia da família. À medida que os jovens crescem, podem conquistar mais autonomia, mas a ciência de que há uma supervisão deve permanecer.
\n\p>Renata faz um alerta importante sobre a \”babá digital\”. O celular não deve ser usado apenas para manter a criança ocupada enquanto os pais estão ausentes. Se a família optou por dar acesso a redes sociais e aparelhos, a supervisão deve ser constante e ativa.
\n\p>Para além da tecnologia, o diálogo é a ferramenta mais poderosa. A jornalista sugere que a segurança digital seja tratada como qualquer outra educação básica, como conversas sobre alimentação ou sexo seguro. A orientação deve ser frequente e adequada ao amadurecimento do jovem.
\n\p>Por fim, a especialista ressalta que a responsabilidade não é apenas dos pais, mas de toda a sociedade. É preciso entender que saber manusear a tecnologia não significa que o jovem tenha a maturidade emocional ou ética necessária para lidar com todos os perigos da rede.
Com informações do G1