Serviço público cria mais empregos que setor privado em 14 meses

O mercado de trabalho brasileiro apresentou um movimento atípico nos últimos 14 meses. De acordo com dados divulgados nesta quarta-feira (24) pelo Ministério do Trabalho e Emprego, a abertura de vagas no serviço público superou a criação de postos de trabalho no setor privado no período compreendido entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2026.

Para chegar a esse resultado, o governo utilizou o cálculo do saldo de empregos, que subtrai o número de demissões do total de contratações. As informações são provenientes da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). Diferente do Caged, que foca principalmente em trabalhadores celetistas, a Rais abrange servidores federais, estaduais e municipais, além de contratos temporários.

Os números oficiais revelam que o setor público registrou a abertura de 1,091 milhão de vagas formais no período analisado, elevando o total de trabalhadores da área para 13,81 milhões em fevereiro de 2026. Já o setor privado, no mesmo intervalo de tempo, criou 1,041 milhão de postos, atingindo a marca de 47,97 milhões de empregados.

Somando-se as duas esferas, o Brasil registrou a criação de 2,17 milhões de novos empregos, totalizando um estoque de 62,19 milhões de trabalhadores formais no país.

Um ponto fundamental para a compreensão desses dados é a natureza dos vínculos empregatícios. O Ministério do Trabalho destacou que, das contratações no setor público, 886 mil foram por tempo determinado. Isso significa que a grande maioria das novas vagas não são cargos efetivos ou vitalícios, mas sim contratos com data de término prevista.

Segundo Paula Montagner, subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho, essa tendência de contratações temporárias se intensificou após a reforma trabalhista de 2017, sancionada no governo Michel Temer, tornando esse tipo de vínculo mais comum na administração pública.

Além da questão legislativa, a sazonalidade também desempenha um papel importante. Rafael Coletto Cardoso, Coordenador-Geral de Estudos e Estatísticas do Trabalho, observou que o período de coleta de dados pode ter inflacionado os números. A lógica é que governos municipais e estaduais costumam contratar profissionais, como professores, no início de cada ano letivo com contratos que duram até o fim do ciclo escolar.

Com informações do G1

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