EUA propõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, mas isentam itens como carne, café e aeronaves. Entenda a medida!
O representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou nesta terça-feira (2) que o governo Trump divulgará os resultados de investigações comerciais da Seção 301 nas próximas semanas. A declaração ocorre após os EUA acusarem o governo brasileiro de adotar práticas que prejudicam o comércio com os norte-americanos, incluindo o PIX, desmatamento ilegal, pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção.
Como resultado da investigação, o Escritório de Comércio dos EUA (USTR) propôs a aplicação de uma tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras. No entanto, a lista inclui exceções para produtos considerados estratégicos, como carne bovina, café, metais, energia, aeronaves e terras raras. Greer destacou que as tarifas propostas para o Brasil são “bastante diferenciadas” devido a essas exclusões. Veja a lista completa de produtos isentos no fim da reportagem.
Falando no programa Squawk Box da CNBC, Greer defendeu o uso de tarifas como forma de aumentar as exportações dos EUA e corrigir práticas comerciais consideradas injustas. Ele argumentou que tarifas substanciais são necessárias para lidar com um déficit comercial “gigantesco” dos EUA. “Tarifas são necessárias para corrigir práticas comerciais injustas persistentes em todo o mundo”, disse Greer.
A Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 permite ao governo americano investigar países com políticas ou práticas consideradas prejudiciais ao comércio dos EUA. A investigação atual foi aberta em 15 de julho de 2025, por determinação de Trump, que já havia mencionado a possibilidade de uma tarifa de 50% sobre as importações brasileiras uma semana antes. Na época, Greer alegou ter documentado “práticas comerciais desleais do Brasil que restringem o acesso de exportadores americanos ao seu mercado há décadas”, mas não apresentou evidências.
Apesar da proposta de tarifas, o governo americano afirma manter diálogo com a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Ao longo do último ano, o presidente Trump e eu tivemos várias reuniões construtivas com o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o seu gabinete, que se intensificaram nas últimas semanas. Contudo, continuamos a ter divergências substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação”, afirmou Greer.
A nova taxa ainda não está em vigor. A legislação americana exige a conclusão da investigação e a realização de consultas públicas antes que as medidas entrem em vigor. Após a Suprema Corte dos EUA considerar ilegal uma tarifa imposta por Trump, a investigação comercial baseada na Lei de Comércio se tornou um instrumento importante de pressão do governo americano.
Com informações do G1