Endividamento das famílias brasileiras estabiliza, mas alerta continua

Mais de oito em cada dez famílias brasileiras permanecem endividadas. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada nesta terça-feira (14) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o índice de endividamento em junho foi de 81,6%.

O número, que se repetiu em relação ao mês de maio, interrompe uma sequência de altas registrada nos meses anteriores. As dívidas mais comuns incluem cartão de crédito, financiamentos, empréstimos pessoais, cheque especial e carnês de lojas.

No que diz respeito à inadimplência — que ocorre quando a dívida vence e não é paga —, o cenário também apresentou estabilidade. Em junho, 29,9% dos entrevistados afirmaram ter contas em atraso, mantendo o índice de maio. Um dado levemente positivo foi a redução na parcela de consumidores que declararam não ter condições de quitar esses débitos, caindo de 12,3% para 12,2%.

A CNC aponta que, apesar da estabilidade nos números gerais, houve uma melhora na composição do endividamento. Mais famílias agora se classificam como “pouco endividadas” (subindo de 33,3% para 34,2%) e houve uma redução no tempo médio de atraso dos pagamentos, que caiu para 64,8 dias.

Outro ponto relevante é que 48,9% dos inadimplentes possuem contas vencidas há mais de 90 dias, o menor percentual registrado em 2024. O comprometimento da renda média das famílias com o pagamento de dívidas ficou em 29,3%.

A análise por faixa de renda revela a desigualdade do impacto financeiro. Famílias que ganham até três salários-mínimos são as mais afetadas: 84,7% estão endividadas e 38,3% possuem contas em atraso. Já no grupo com renda superior a dez salários-mínimos, o endividamento é de 71,4% e a inadimplência cai para 15,4%.

A CNC acredita que a melhora em alguns indicadores pode ser reflexo do programa federal Desenrola 2.0, além do avanço da renda média e de um maior controle da inflação, o que preserva o poder de compra. No entanto, a entidade projeta que o endividamento e a inadimplência podem voltar a subir nos próximos meses, recomendando cautela no planejamento financeiro.

Com informações do G1

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