Um erro comum entre pequenos e médios empreendedores, especialmente em regiões com mercados competitivos como o Norte do Brasil, é acreditar que o volume de vendas é o único indicador de sucesso de um negócio. No entanto, vender mais não é, necessariamente, sinônimo de lucrar mais.
Na prática, é possível observar empresas com um faturamento crescente, mas que enfrentam dificuldades financeiras severas. Isso acontece quando a margem de lucro — a diferença entre o custo de produção e o preço de venda — é reduzida excessivamente para atrair clientes, resultando em um caixa vazio ao final do mês.
De acordo com orientações do Sebrae, a precificação inadequada é um dos principais gargalos da gestão financeira. Entre os erros mais frequentes estão a prática de copiar os preços da concorrência sem analisar a própria estrutura de custos, a concessão de descontos agressivos sem o cálculo da margem de contribuição e a definição de valores baseada apenas no “achismo”, sem embasamento técnico.
Para evitar prejuízos, o primeiro passo fundamental é o levantamento detalhado de todos os custos operacionais. O empreendedor deve diferenciar os custos diretos (matéria-prima e insumos) dos custos fixos ou recorrentes, que incluem aluguel, internet, energia elétrica e taxas administrativas.
Além das despesas financeiras, é crucial contabilizar o custo invisível: o tempo e o esforço dedicados à produção, ao atendimento ao cliente e à logística de entrega. Somente com a soma de todos esses fatores é possível estabelecer o preço mínimo de venda, que serve como uma margem de segurança para garantir a sustentabilidade da operação.
Outro ponto de atenção é a volatilidade do mercado. Especialistas alertam que o preço de venda não deve ser estático. Em cenários de inflação ou alta nos custos de transporte e insumos, a revisão periódica dos valores é indispensável.
Ajustar os preços conforme a realidade econômica e o crescimento da empresa permite que o negócio mantenha a saúde financeira, evitando que o aumento do faturamento se torne uma armadilha que consome o capital de giro do empreendedor.
Com informações do G1