As zoonoses, doenças transmitidas entre animais e humanos, não ocorrem ao acaso no Brasil. Um estudo recente, publicado na revista Brazilian Archives of Biology and Technology, revela que a incidência dessas enfermidades está ligada a fatores sociais e ambientais, como a desigualdade de renda, condições de trabalho e a precariedade no acesso aos serviços de saúde.
Os dados são alarmantes para a nossa região: o Norte liderou o aumento no número de casos entre 2007 e 2023. O índice saltou de 180 pacientes a cada 100 mil habitantes para mais de 220 no período analisado.

A pesquisa destaca que a carga da doença é desproporcional em populações indígenas, negras e pardas. Segundo o autor do estudo, Giovani Marino Favero, “municípios com maior privação social e localizados em áreas rurais remotas apresentam os maiores indicadores de incidência e mortalidade”.
Apesar do aumento dos casos, a mortalidade vem diminuindo desde 2014, o que indica melhorias no diagnóstico e tratamento. No entanto, Favero alerta que o país ainda falha em enfrentar as causas estruturais: “não enfrentamos adequadamente fatores como pobreza, saneamento precário, ocupação desordenada do território, degradação ambiental e vulnerabilidade social”.
Para reverter o cenário, o estudo defende a abordagem de Saúde Única (One Health), que integra a saúde humana, animal e a preservação ambiental. A estratégia visa orientar investimentos em saneamento e vigilância integrada nas áreas de maior risco.
O pesquisador conclui que a solução definitiva exige ir além da medicina tradicional: “Se quisermos controlar essas doenças de forma duradoura, precisamos tratar não apenas os agentes infecciosos, mas também as condições que permitem sua persistência”.
Com informações do Portal Amazônia.