Lixo de pesca na Ilha de Algodoal (PA): o que muda para quem visita a região

Com a chegada do verão amazônico, as praias do litoral paraense registram aumento de turistas, mas também revelam um problema invisível: os ALDFG. Trata-se da sigla em inglês para petrechos de pesca abandonados, perdidos ou descartados, como redes de nylon, boias e cordas que a maré deposita na areia. Uma pesquisa da bióloga Elaine Simone da Cruz Silva Silva, da UFPA, identificou que esses resíduos são fruto da atividade pesqueira local e não do fluxo de visitantes.

O estudo focou na Ilha de Algodoal, no município de Maracanã, analisando quatro praias. A Praia da Caixa d’Água foi a mais afetada, com 274 itens recolhidos, enquanto a Praia da Princesa, a mais turística, apresentou a menor quantidade devido à limpeza diária. “Com esses dados, a gente viu que a pesca é uma fonte reconhecida de petrechos abandonados, perdidos ou descartados”, afirma a pesquisadora

Pesquisa identifica resíduos da atividade pesqueira na Ilha de Algodoal no Pará
Fotos: Reprodução/Petrechos de pesca como resíduo praial em uma área de proteção ambiental na costa paraense

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Um ponto alarmante é a substituição de cordas tradicionais por cabos elétricos e telefônicos na amarração de currais de pesca, que acabam abandonados nas rochas. Além da poluição visual, há o risco químico e o perigo real de emaranhamento de animais. Em 2023, inclusive, foi registrado o resgate de uma tartaruga-de-couro, espécie ameaçada de extinção, presa em redes na praia da Princesa.

A bióloga alerta que a falta de pontos de coleta específicos para pescadores favorece o acúmulo de lixo. Para quem visita a região, a recomendação é clara: recolher redes e fragmentos de plástico sempre que possível e descartá-los em lixeiras. “O ideal é que as pessoas recolham, depositem numa lixeira ou deixem em local separado. É muito perigoso deixá-los à solta”, finaliza Elaine.

Com informações do Portal Amazônia.

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