Nobel de Economia diz que Trump quer punir Brasil pelo sucesso do Pix

O economista Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2008, criticou duramente a investigação aberta pelo governo dos Estados Unidos contra o Pix. Para o especialista, a ofensiva da administração de Donald Trump representa uma tentativa de punir o Brasil pelo êxito do sistema de pagamentos instantâneos.

Em artigo publicado nesta segunda-feira (20), Krugman argumenta que o Pix se tornou uma referência global em pagamentos digitais e que a iniciativa americana não possui sustentação do ponto de vista econômico. “Trump tentará punir o Brasil por esse sucesso”, escreveu o economista ao analisar a investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.

O governo americano incluiu o Pix em uma lista de temas sob investigação por supostas práticas comerciais desleais. O sistema, criado pelo Banco Central do Brasil, permite a transferência de valores e a realização de pagamentos de forma imediata entre pessoas físicas e jurídicas.

Para Krugman, a oferta de um sistema público de pagamentos que seja mais barato e eficiente não pode ser classificada como desleal. “Por que seria desleal um país oferecer aos seus próprios cidadãos uma forma melhor de fazer compras e pagar contas?”, questionou o Nobel.

O economista defende que o Pix ampliou a concorrência no mercado financeiro ao proporcionar uma alternativa de baixo custo. Segundo ele, a popularização da ferramenta reduziu a dependência de meios tradicionais, impactando o faturamento de empresas como Visa e Mastercard. No entanto, Krugman ressalta que isso é fruto da concorrência tecnológica, e não de uma vantagem indevida.

“Desde quando é uma prática comercial desleal que empresas percam mercado para um concorrente que oferece um produto melhor e mais barato?”, escreveu o autor, sugerindo que a reação dos EUA reflete a perda de espaço de empresas privadas diante de um modelo público mais eficiente.

O debate, segundo Krugman, vai além do Pix e envolve a defesa de moedas digitais emitidas por bancos centrais. Ele afirma que os Estados Unidos ficaram para trás nesse desenvolvimento devido a resistências políticas e pressões de grupos ligados ao mercado de criptomoedas. “A verdadeira preocupação deles é que ela funcione bem demais”, afirmou sobre a oposição ao dólar digital.

Krugman também comparou o modelo brasileiro à experiência de El Salvador com o Bitcoin, apontando que, enquanto o Pix foi amplamente adotado pela população, a tentativa salvadorenha de massificar a criptomoeda fracassou.

Sobre as tarifas propostas por Trump, o economista avalia que o alcance será limitado e poderá, inclusive, prejudicar os próprios americanos ao elevar os preços de produtos brasileiros, como café, carne bovina e suco de laranja. Ele cita a pesquisadora Monica de Bolle para reforçar que as tarifas americanas acabaram fortalecendo o Brasil como potência exportadora em outros mercados, como a China.

Ao encerrar sua análise, Krugman fez uma crítica direta à política econômica do governo americano: “O governo Trump declarou guerra ao futuro”. E complementou: “E uma coisa que sabemos sobre Trump é que ele nunca admite quando suas guerras escolhidas fracassam”.

Com informações do G1

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