A região amazônica vive uma contradição econômica e social profunda. Embora contribua com mais de 25% da geração de energia elétrica de todo o Brasil, a região consome apenas 8,4% do total produzido, segundo dados da Climate Policy Initiative (CPI). Além disso, o território concentra 30% dos minerais críticos essenciais para a transição energética global.
Apesar desse potencial, a Amazônia permanece como a área mais afetada pela insegurança energética, o que reflete nos menores índices de progresso social e desenvolvimento econômico do país. Para a organização Concertação pela Amazônia, “a segurança energética nas Amazônias deve ser compreendida como componente central de uma estratégia de desenvolvimento nacional”.
O impacto da floresta vai além das usinas hidrelétricas. Os chamados ‘rios voadores’ transportam umidade para o Centro-Sul do Brasil, alimentando as chuvas que sustentam a produção de alimentos e a própria hidroeletricidade em outras regiões. [[IMG_1]]
Para reverter esse cenário, especialistas sugerem quatro eixos: a otimização da infraestrutura atual, a gestão rigorosa dos impactos da exploração de minerais e petróleo na Margem Equatorial, o reconhecimento do papel da floresta na segurança nacional e a garantia de que a riqueza gerada se converta em bem-estar para a população local.
A experiência com royalties de mineração no Pará e de óleo e gás no Sudeste serve de alerta, pois a riqueza muitas vezes não chega à base da pirâmide social. Por isso, a aplicação de critérios de ESG (Ambiental, Social e Governança) é vista como fundamental para que a exploração de recursos seja ética e sustentável.
O desafio agora recai sobre as universidades e centros de pesquisa regionais, que devem liderar a produção científica para orientar a economia local e garantir que a Amazônia deixe de ser apenas uma exportadora de energia para se tornar beneficiária do próprio potencial.
Com informações do Portal Amazônia.