A Casa Branca anunciou, nesta segunda-feira (20), a imposição de uma tarifa adicional de 50% sobre diversos produtos importados do Canadá. A medida é uma resposta direta ao que o governo dos Estados Unidos classificou como um tratamento discriminatório contra as mercadorias americanas, com foco principal nos setores de veículos automotores, bebidas alcoólicas e laticínios.
Para viabilizar a decisão, o presidente Donald Trump assinou três proclamações fundamentadas na Seção 338 da Lei Tarifária de 1930. Esta legislação específica concede ao governo americano a autoridade para aplicar sobretaxas de até 50% sobre importações de países que adotem práticas comerciais consideradas desleais ou prejudiciais aos interesses dos EUA.
De acordo com a justificativa oficial, o objetivo da medida é compensar “o ônus ou a desvantagem decorrentes da discriminação contra o comércio dos Estados Unidos”, escreveu Trump. A estratégia visa pressionar o governo canadense a revisar suas políticas de importação e eliminar as barreiras que prejudicam as empresas americanas.
As novas tarifas entrarão em vigor à 0h01 (horário da Costa Leste dos EUA) do dia 19 de agosto de 2026. A lista de produtos afetados é extensa e variada, abrangendo desde itens de consumo, como vinhos e tacos de hóquei, até insumos industriais, como o cimento.
No entanto, a Casa Branca esclareceu que a tarifa de 50% não será aplicada a produtos que já possuam restrições de importação previstas na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962. Além disso, determinadas peças e componentes destinados a aeronaves civis também foram excluídos da nova taxação para evitar impactos severos no setor aeroespacial.
No documento oficial, Trump sustenta que o Canadá utiliza um sistema tarifário que prejudica especificamente os veículos fabricados nos Estados Unidos, enquanto oferece condições mais favoráveis para importações vindas de outras nações. Essa disparidade teria gerado um impacto direto no volume de vendas.
Segundo a proclamação, a política comercial canadense provocou uma queda de cerca de 22% nas exportações de automóveis dos EUA para o mercado do Canadá entre abril de 2025 e março de 2026, quando comparada ao mesmo período do ano anterior.
“O Canadá discrimina o comércio dos Estados Unidos”, afirma o texto do governo americano, reforçando que as tarifas adicionais são “necessárias e apropriadas” para proteger a economia interna e estimular o governo canadense a encerrar as práticas discriminatórias.
Com informações do G1