A autoridade de concorrência do Reino Unido, conhecida como CMA, deu sinal verde nesta quinta-feira (6) para que a Paramount Skydance adquira a Warner Bros. Discovery. O governo britânico decidiu não intervir na operação após a empresa apresentar garantias legalmente vinculantes, assegurando que a fusão não prejudicaria o mercado local.
Apesar do avanço na Europa, a conclusão do negócio ainda depende de etapas burocráticas e judiciais nos Estados Unidos. A operação é considerada uma das maiores da história recente da indústria do entretenimento, com um valor estimado em cerca de US$ 110 bilhões, o que equivale a aproximadamente R$ 562 bilhões na cotação atual.
O principal obstáculo no momento é uma ação judicial movida por uma coalizão de 12 estados americanos, liderada pela Califórnia. Os procuradores-gerais argumentam que a união das duas gigantes reduzirá a concorrência na produção e distribuição de filmes e programas de televisão. Segundo a acusação, isso poderia resultar em preços mais altos para o consumidor final e enfraquecer a disputa por vagas de emprego no setor audiovisual.
A disputa jurídica já tem data para ser analisada. Na última terça-feira (4), um juiz federal da Califórnia agendou o julgamento do caso para março de 2027. Como parte de um acordo, a Paramount comprometeu-se a não finalizar a aquisição até que haja uma decisão judicial ou até o dia 1º de junho de 2027, prevalecendo a data que ocorrer primeiro.
Além dos governos estaduais, o sindicato dos roteiristas dos Estados Unidos (Writers Guild of America) também contesta a fusão. A entidade alega que a concentração de mercado diminuirá as oportunidades de trabalho para escritores em Hollywood, reduzindo o poder de negociação da categoria.
Em contrapartida, a Paramount nega que o acordo prejudique a livre concorrência. A empresa defende que a união com a Warner Bros. Discovery permitirá ampliar a escala de produção de conteúdo, tornando a nova companhia mais competitiva diante de gigantes do streaming, como Netflix e Disney, em um mercado global cada vez mais concentrado.
O risco financeiro da demora também é alto. Caso a conclusão do negócio seja adiada por um período prolongado, a Paramount poderá ter que desembolsar até US$ 1,7 bilhão em pagamentos previstos no acordo firmado com os acionistas da Warner Bros. Discovery.
Se for concretizada, a fusão criará um conglomerado de mídia massivo, reunindo marcas de peso como HBO, Max, CNN, Warner Bros. Pictures, DC Studios, Discovery, CBS, Paramount Pictures, Nickelodeon, MTV e Comedy Central.
Com informações do G1