Praga de moscas no inverno gera prejuízos a pecuaristas de São Paulo

A estação de inverno, período tradicionalmente marcado pela colheita da cana-de-açúcar, tem sido impactada pela presença constante de moscas-de-estábulo. Os insetos são atraídos pela umidade e pela concentração de vinhaça, fixando-se nos animais e prejudicando a rotina dos bovinos.

Em vez de dedicarem o tempo necessário à alimentação e ao descanso, as vacas permanecem em pé, apresentando desconforto e espasmos. A energia dos animais é priorizada para a autoproteção contra as moscas, o que resulta em um estado de debilidade e fraqueza.

Esse cenário impacta diretamente os indicadores de produtividade do setor, afetando o ganho de peso dos animais, a produção de leite e a qualidade de vida do rebanho, podendo, em casos graves, levar à morte dos bovinos.

Em Avanhandava, localizada no centro-oeste de São Paulo, o pecuarista Alexander von Büldring registrou a perda de oito cabeças de gado e uma queda de 60% na produção de leite. O produtor relatou o diagnóstico de complexo de tristeza parasitária após os animais apresentarem fadiga, desconforto e a presença de sangue nas fezes e na urina.

Atualmente, dos 36 animais da propriedade, 16 estão em fase de ordenha, com uma produtividade individual de seis litros de leite.

A proximidade com uma usina de açúcar e etanol favorece a proliferação das moscas devido ao volume de matéria orgânica e vinhaça. Em nota, a usina Diana Bioenergia informou a adoção de medidas para combater a praga, incluindo o monitoramento da população de insetos, a prevenção de vazamentos e a contratação de consultoria especializada em manejo de pragas.

A empresa também mencionou ajustes no manejo da palha, na distribuição da vinhaça e na aplicação de compostos orgânicos para mitigar o problema.

Outra propriedade afetada implementou o uso de ventilação mecânica para tentar reduzir a incidência das moscas sobre um rebanho de 110 cabeças de gado. O pecuarista João Heck Junior observou a perda constante de peso dos animais e a morte de algumas vacas.

O médico-veterinário Luís Felipe Cruiol explica que os insetos se adaptaram ao clima de inverno. Com a atividade do setor sucroenergético, a reprodução das moscas é favorecida, deixando o gado vulnerável.

Segundo o especialista, a intensificação da higiene nos estábulos, o rastelamento das fezes e o controle da umidade são medidas essenciais para melhorar a qualidade de vida dos bovinos durante esse período.

Com informações do G1

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