Nanofertilizante de caroço de açaí na Amazônia: o que muda para o produtor

Especialistas da Embrapa e da Universidade Federal do Ceará (UFC) criaram um nanofertilizante utilizando o caroço do açaí, capaz de acelerar o desenvolvimento de culturas de sorgo e milho. Em testes, a aplicação de doses reduzidas do produto elevou o crescimento do milho em 24% e do sorgo em 164%, com aumento significativo no volume das raízes

Caroços de açaí
Caroços de açaí são coprodutos pouco aproveitados no processamento agroindustrial. Foto: Ronaldo Rosa

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O caroço do açaí, frequentemente descartado ou usado apenas como combustível, é um coproduto abundante no processamento agroindustrial. Para cada tonelada de frutos processada, cerca de 700 quilos de caroços são gerados. O novo insumo é feito via síntese hidrotermal, resultando em nanopartículas que penetram nos tecidos foliares e otimizam a fotossíntese.

Segundo o pesquisador Cláudio Carvalho, da Embrapa Agroindústria Tropical, a tecnologia permite a entrega de nutrientes diretamente no nível celular. “Em comparação com os fertilizantes convencionais, os nanofertilizantes geralmente resultam em menos escoamento superficial e menor contaminação dos solos e corpos d’água, tornando-os potencialmente mais sustentáveis”

Cláudio Carvalho, pesquisador da Embrapa Agroindústria Tropical (CE). Foto: Arquivo pessoal/Cláudio Carvalho

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A semente do açaí é vista como um “kit de sobrevivência natural”, sendo a base ideal para o fertilizante por conter micronutrientes essenciais. O objetivo agora é testar a eficácia em outras culturas, como batata-doce, feijão e hortaliças, além de mudas do próprio açaizeiro.

O professor Pierre Fechine, da UFC, destaca que a região amazônica possui matéria-prima abundante e de baixo custo para essa produção. No entanto, ele ressalta que ainda é preciso avançar nos estudos de segurança e na transição da escala de laboratório para a industrial

Professor Pierre Fechine, coordenador do Laboratório do Grupo de Química de Materiais Avançados (GQMat) da UFC. Foto: Arquivo pessoal/Pierre Fechine

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Com informações do Portal Amazônia.

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