Super El Niño pode encarecer alimentos e impactar a economia global

A formação de um ‘Super El Niño’ no Oceano Pacífico deve trazer consequências que vão além das alterações climáticas. O fenômeno tem potencial para gerar impactos significativos na economia, afetando a produção agrícola, os preços ao consumidor e os custos públicos para a recuperação de áreas atingidas por desastres naturais.

Historicamente, os anos sob a influência do El Niño são marcados pela escassez de produtos agrícolas e pela alta de preços. Esse cenário ocorre porque a incidência de secas severas, enchentes e ondas de calor prejudica as lavouras, resultando em perdas expressivas na produção total.

Esses reflexos chegam diretamente ao bolso do consumidor final. Com a redução da oferta de diversos alimentos, a tendência é que os preços subam, aumentando a pressão sobre o custo de vida e contribuindo para a inflação.

Os danos econômicos, contudo, não se limitam ao setor do agronegócio. Eventos climáticos extremos podem destruir rodovias, residências e outras infraestruturas essenciais, demandando vultosos investimentos para a reconstrução.

Estima-se que os prejuízos acumulados por secas, inundações e calor extremo já alcancem a casa dos trilhões de dólares em escala global.

No Rio Grande do Sul, como exemplo, as chuvas ocorridas em 2024 causaram mais de 100 deslizamentos em um trecho de 20 quilômetros de estrada. O custo para a reconstrução da via foi estimado em R$ 700.000.000,00, e a obra ainda permanecia em execução dois anos depois.

Além dos gastos diretos com obras de infraestrutura, empresas e produtores rurais enfrentam perdas financeiras devido à interrupção de suas atividades e à queda na produtividade.

A combinação entre a menor oferta de alimentos e o aumento dos gastos governamentais e privados para reparar danos estruturais pode pressionar a economia. Quando a produção agrícola cai, os preços sobem; simultaneamente, recursos que poderiam ser investidos em outras áreas são destinados à reconstrução de instalações e estradas.

Especialistas alertam que esse conjunto de fatores pode comprometer o crescimento econômico mundial. O ciclo de impacto ocorre em etapas: o clima extremo prejudica a colheita, a baixa oferta encarece a comida e a destruição da infraestrutura eleva os custos de recuperação.

O El Niño é um fenômeno global. O aquecimento das águas do Pacífico altera a circulação atmosférica, provocando efeitos em diversas regiões do planeta. No episódio atual, cientistas destacam que o fenômeno ocorre em um mundo já aquecido pelo aquecimento global.

As previsões indicam uma probabilidade superior a 90% de um El Niño muito forte, com pico esperado para dezembro e intensidade elevada durante o primeiro semestre de 2027.

Embora ainda não seja possível precisar os impactos econômicos regionais, as previsões devem se tornar mais exatas conforme o fenômeno avance. Por ora, o ‘Super El Niño’ é visto como um desafio climático e uma ameaça real à segurança alimentar, à infraestrutura e à estabilidade econômica global.

Com informações do G1

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