Nova York suspende uso de inteligência artificial em escolas públicas

O prefeito de Nova York, Zohran Mandani, comunicou nesta quarta-feira (2) a interrupção temporária da utilização de inteligência artificial por estudantes da rede pública. A restrição abrange alunos desde a pré-escola até a 8ª série, nível que corresponde ao 9º ano do ensino fundamental brasileiro.

A determinação terá validade durante o próximo ciclo letivo, compreendido entre 10 de setembro e junho de 2027. A norma veta a utilização de “todo software que usa IA generativa para alunos”. Além disso, os chatbots de companhia, que possuem a função de simular interações humanas reais, foram proibidos para estudantes de todos os níveis escolares.

Para compensar a medida, a administração municipal implementará aulas de alfabetização em IA duas vezes ao ano, destinadas a todos os alunos dos anos finais do ensino fundamental. Também serão desenvolvidos programas piloto, permitindo que grupos selecionados de estudantes utilizem ferramentas de IA, desde que haja a supervisão direta de um educador.

“A indústria de tecnologia quer que acreditemos que a educação infantil impulsionada por inteligência artificial não só é inevitável, como também necessária. Nós não vemos as coisas dessa forma”, declarou Mamdani.

O prefeito enfatizou a importância do pensamento crítico no ambiente escolar. “Todos os dias, quando os nossos filhos vêm para a escola, nós os ensinamos a fazer perguntas, a questionar pressupostos, a interrogar premissas, a perguntar ‘por quê?’. Quando se trata de IA em nossas escolas, temos a obrigação de fazer o mesmo”, afirmou.

De acordo com as informações de Mamdani, as instituições de ensino deverão interromper o uso de aproximadamente 40 ferramentas educacionais baseadas em IA que já estavam integradas às salas de aula da cidade.

A nova política impactará cerca de 600.000 alunos até a 8ª série. No entanto, a proibição não é total para o corpo docente: os professores continuarão autorizados a utilizar a inteligência artificial para o planejamento de aulas e a organização de cronogramas e horários.

“As crianças precisam de professores e de conexão humana para aprender e crescer. Elas precisam desenvolver habilidades ao lado de seus pares, construir relacionamentos com educadores e lidar com problemas complexos por conta própria”, justificou o prefeito.

Este não é o primeiro movimento desse tipo na cidade. As escolas públicas de Nova York já haviam aplicado uma proibição temporária ao ChatGPT logo após o seu lançamento, em 2022. Naquela ocasião, a restrição foi posteriormente revogada e substituída pela implementação de um assistente de ensino personalizado baseado em IA.

Com informações do G1

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