Justiça dos EUA impede punição à Anthropic, empresa que limita uso de IA em vigilância e armas autônomas. Governo vai recorrer
O governo dos Estados Unidos informou nesta quinta-feira (2) que deve recorrer da decisão judicial que o impediu de aplicar punições contra a empresa de inteligência artificial Anthropic. A disputa envolve o uso de IA para fins militares, com o governo americano buscando acesso irrestrito e a Anthropic impondo limites éticos.
A Anthropic se opõe à adoção de suas ferramentas em sistemas de vigilância em massa de cidadãos e no desenvolvimento de armamento autônomo. Advogados do Departamento de Justiça dos EUA manifestaram o desejo de entrar com um recurso e terão até 30 de abril para apresentar seus argumentos, conforme o prazo definido pelo tribunal.
Na semana passada, o Departamento de Guerra dos EUA (Pentágono) foi impedido pela Justiça de classificar a Anthropic como um risco para a cadeia de fornecimentos – designação normalmente reservada a empresas de países adversários. A Justiça também derrubou a ordem do presidente Donald Trump para que órgãos federais deixassem de usar a inteligência artificial da Anthropic. Ambas as medidas foram anunciadas em 27 de fevereiro.
A juíza Rita Lin considerou que as “amplas medidas punitivas” tomadas pelo governo americano pareciam arbitrárias e poderiam “paralisar a Anthropic”. “Nada na legislação vigente apoia a noção orwelliana de que uma empresa americana possa ser rotulada como uma potencial adversária e sabotadora dos EUA por expressar discordância com o governo”, afirmou a juíza, em referência ao autor de livros distópicos George Orwell. Ela ressaltou que a decisão não obriga os EUA a usarem os produtos da Anthropic, mas permite que a empresa continue operando.
A decisão judicial foi criticada por um alto funcionário do Pentágono. O subsecretário de Guerra dos EUA, Emir Michael, afirmou que a medida “prejudicaria a plena capacidade” do secretário Pete Hegseth de “conduzir operações militares com os parceiros que escolher”. Diversas entidades apresentaram pareceres jurídicos favoráveis à Anthropic, incluindo a Microsoft, associações comerciais, trabalhadores do setor de tecnologia, líderes militares aposentados e um grupo de teólogos católicos.
Dario Amodei, diretor-executivo da Anthropic, e Donald Trump, presidente dos EUA
Reuters/Bhawika Chhabra; Reuters/Nathan Howard
Com informações do G1