Peixes do Pará: metais tóxicos e risco à saúde em 4 cidades

Uma pesquisa da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) identificou a presença de metais tóxicos – mercúrio, arsênio, cádmio e chumbo – em peixes consumidos em Faro, Juruti, Santarém e Itaituba. O estudo avaliou o risco para a saúde em diferentes cenários de consumo, especialmente para comunidades ribeirinhas que consomem grandes quantidades de pescado.

A pesquisa investigou seis espécies de peixes, predadoras (tucunaré, surubim-pintado, pirarucu e piranha) e não predadoras (aracu e acari). Os resultados indicam que peixes carnívoros apresentam maiores níveis de mercúrio, com potencial de ultrapassar limites seguros em casos de consumo frequente.

Foto: divulgação

A contaminação está ligada a atividades como a mineração de ouro (legal e ilegal), projetos de mineração de bauxita e a expansão da agricultura na região. O desmatamento e a remoção da vegetação também contribuem para a liberação de mercúrio presente nos solos para os ecossistemas aquáticos.

No cenário de alto consumo de peixe, típico da região amazônica, o estudo aponta para riscos à saúde, principalmente efeitos neurológicos associados ao mercúrio e potencial risco de câncer relacionado ao arsênio. Os pesquisadores alertam que as diretrizes nacionais de consumo podem não ser adequadas para avaliar os riscos na Amazônia, reforçando a necessidade de monitoramento ambiental e ações de saúde pública específicas.

“Altas concentrações de mercúrio se encontram nos peixes predadores, como o tucunaré, a piranha, o surubim-pintado e o pirarucu”, disse o professor Fábio Albuquerque, um dos responsáveis pela pesquisa. A pesquisa não indica que os peixes estão impróprios para o consumo, mas chama a atenção para a degradação ambiental e a necessidade de monitoramento constante.

O estudo destaca que padrões nacionais de consumo e segurança alimentar não refletem adequadamente a realidade amazônica, reforçando a necessidade de monitoramento ambiental e ações de saúde pública específicas para populações com alto consumo de pescado.

Identificação e processamento de amostras para análise de metais pesados (Laboratório da Universidade de Santiago de Compostela)

Com informações do Portal Amazônia.

Deixe um comentário