Arrecadação de R$ 1,28 bilhão com ‘taxa das blusinhas’ reacende debate sobre sua revogação a menos de seis meses das eleições
O governo federal arrecadou R$ 1,28 bilhão com o imposto de importação sobre encomendas internacionais – a chamada ‘taxa das blusinhas’ – entre janeiro e março deste ano. O valor representa um aumento de 21,8% em comparação com o mesmo período de 2025, quando a arrecadação foi de R$ 1,05 bilhão, segundo dados da Receita Federal.
Apesar do impacto positivo na arrecadação federal, a medida tem gerado preocupações tanto nos Correios, que enfrentam queda no volume de encomendas, quanto em setores da política governamental. A taxação de compras internacionais de até US$ 50 foi aprovada em junho de 2024, após um intenso debate e algumas alterações no projeto original.
Inicialmente contrário à taxação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou a declarar que taxar compras internacionais era “irracional”, mas acabou sancionando a lei que a estabeleceu. A justificativa para a medida era atender a uma demanda da indústria nacional, que buscava condições mais justas de competição com produtos importados. O então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmava que a taxação não traria impactos significativos para os consumidores.
No entanto, a menos de seis meses das eleições, a possibilidade de revogar a ‘taxa das blusinhas’ ganhou força. José Guimarães (PT), atual ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), expressou sua opinião favorável à revogação: “Minha opinião se eu for consultado”, disse o ministro em conversa com jornalistas. A posição contrária é defendida pelos ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic). Geraldo Alckmin, que ocupava o Mdic até o mês passado, defendeu o imposto e afirmou que não há decisão governamental sobre sua revogação.
Empresários e trabalhadores de 67 associações manifestaram seu protesto contra o possível fim da taxa, enviando um ofício ao presidente Lula. Fernando Pimentel, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), enfatizou a importância da igualdade tributária: “Nossa posição é clara: igualdade tributária e regulatória. Não faz sentido incentivar a importação de produtos que já são bastante subsidiados em seus países de origem, notadamente China, e prejudicar a produção, os investimentos, empregos e a geração de empregos no Brasil”.
A discussão sobre a ‘taxa das blusinhas’ demonstra a complexidade de equilibrar a arrecadação de recursos, os interesses da indústria nacional e as expectativas dos consumidores, especialmente em um ano eleitoral.
Com informações do G1