Stone demite mais de 300 funcionários em meio a negociação salarial. Sindicato acusa empresa de prática antissindical
A Stone, fintech de pagamentos e serviços financeiros digitais, demitiu mais de 300 trabalhadores na última terça-feira (10). O número exato de desligados não foi confirmado, mas corresponde a cerca de 3% do quadro total, estimado entre 11 mil e 12 mil funcionários.
Em nota, a Stone afirmou que os desligamentos fazem parte de “um ajuste pontual em sua estrutura como parte do processo contínuo de simplificação e ganho de eficiência”. A empresa também afirmou que “a operação segue normalmente, sem impacto para clientes ou parceiros”.
O Sindicato dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação de São Paulo (Sindpd-SP) classificou os desligamentos como uma “demissão em massa” e repudiou a conduta da companhia. Segundo a entidade, as dispensas ocorreram durante a negociação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) da categoria, o que levou o sindicato a acusar a empresa de prática antissindical. A última reunião entre as partes teria ocorrido em 5 de março.
Para o Sindpd-SP, as demissões “representam um desrespeito ao processo de negociação coletiva em curso”. A entidade afirma que os desligamentos ocorreram sem negociação prévia com os representantes dos trabalhadores. “Demissões coletivas nesse contexto fragilizam o ambiente de negociação e pressionam indevidamente os trabalhadores, comprometendo o equilíbrio necessário nas tratativas”, afirmou o sindicato em nota.
O sindicato também alega que o Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu que demissões em massa devem ser precedidas de negociação com o sindicato da categoria. Além disso, o Sindpd-SP recebeu denúncias de que trabalhadores afastados e pessoas com deficiência estão entre os demitidos. Diante do caso, o sindicato ingressou com uma ação civil coletiva contra empresas do grupo Stone, incluindo a Buy4 Processamento de Pagamentos, Pagar.me Pagamentos, TAG Tecnologia para o Sistema Financeiro e Stone Cartões Instituição de Pagamento.
A ação, protocolada na quarta-feira (11) e que também inclui a Federação Nacional dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação (Fenati), pede a reintegração imediata dos funcionários demitidos, a suspensão de novas demissões coletivas sem negociação e a declaração de invalidade das demissões realizadas em março, com o pagamento de indenizações por dano moral individual (equivalente a cinco salários contratuais por trabalhador) e coletivo (valor mínimo de R$ 10 mil destinados ao Fundo de Amparo ao Trabalhador).
Ainda de acordo com o sindicato, demissões em massa podem gerar impactos econômicos e sociais mais amplos. A Stone havia reportado lucro trimestral de R$ 707 milhões no período encerrado em dezembro, alta de 12% em relação ao mesmo trimestre de 2023.
Com informações do G1