Regeneração da floresta em Capitão Poço: o que muda para o clima da Amazônia

No município de Capitão Poço, no nordeste do Pará, a história de Manoel Geraldo de Carvalho, o seu Duquinha, de 93 anos, tornou-se referência para a ciência regional. O agricultor recuperou 56 hectares de mata nativa, transformando antigos roçados em um refúgio de biodiversidade que agora abriga a primeira torre de monitoramento climático instalada em uma floresta secundária na Amazônia.

O legado de seu Duquinha e a ciência que estuda a regeneração da floresta na Amazônia
Torre com 20 metros de altura monitora a área de 56 hectares em Capitão Poço. Foto: Marcio Nagano

O projeto foca nas “capoeiras”, que são florestas que se regeneram naturalmente após o desmatamento. Para seu Duquinha, a mudança foi uma missão familiar: “Eu desmatei, mas depois preservei, plantei, recuperei. O que eu construí hoje estou aqui mostrando para vocês”, afirma o patriarca, que plantou cerca de 30 mil mudas para fazer nascentes voltarem a brotar.

Seu Duquinha, ao lado da esposa, Luiza Bezerra. Foto: Marcio Nagano

A iniciativa agora une a sabedoria prática do agricultor à tecnologia de ponta. A bióloga Laína Carvalho, neta de seu Duquinha e doutoranda na Ufra, estuda como essas florestas secundárias gerenciam energia em tempos de extremos climáticos. O objetivo é entender a “bomba biótica”, processo onde as árvores bombeiam água do solo para a atmosfera, funcionando como um ar-condicionado natural.

Bióloga Laína Carvalho. Foto: Marcio Nagano

Para medir esse impacto, foram instaladas duas torres: uma de 20 metros na floresta secundária e outra de 40 metros em mata primária. Os pesquisadores buscam calibrar dados de satélite com medições reais de campo para prever a resiliência de toda a bacia amazônica. “Precisamos proteger as secundárias, que se regeneram sozinhas e são fundamentais para estocar carbono, regular as chuvas e frear as mudanças climáticas”, defende Laína.

Doutor em Ecologia pela Universidade Federal do Pará (UFPA), Fernando Elias. Foto: Marcio Nagano

A pesquisa, coordenada pela Embrapa e apoiada pelo Global Centre on Biodiversity for Climate (GCBC), demonstra que áreas florestadas podem ter temperaturas entre 2 °C e 3 °C mais baixas que solos nus. O legado de seu Duquinha prova que a regeneração é possível e essencial para a sobrevivência regional, servindo de modelo para a recuperação de ecossistemas degradados em todo o bioma.

Professor Divino Silvério, especialista em clima. Foto: Marcio Nagano

Com informações do Portal Amazônia.

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