Acidentes com cobras no Norte: quem são as vítimas e os riscos da região

Um estudo realizado por instituições como o Instituto Butantan e a USP revelou que homens, pardos, moradores de áreas rurais e pessoas com menor escolaridade são as principais vítimas de acidentes com cobras no Brasil. Entre 2010 e 2022, homens concentraram mais de 77% dos registros envolvendo jararacas, cascavéis, corais e surucucus.

A investigação evidenciou que as desigualdades regionais impactam diretamente a sobrevivência das vítimas, com maior concentração de casos e maior mortalidade nas regiões Norte e Centro-Oeste. Segundo a pesquisadora Gisele Dias de Freitas, “o perfil das vítimas sugere que os acidentes com cobras estão associados à exposição ocupacional e a desigualdades sociais”.

homens e mulheres ribeirinhos
Homens também sofrem com os acidentes principalmente pela falta de acesso rápido à hospitais. Foto: Alexandre de Moraes

O estudo destaca que o atraso no atendimento é um dos fatores críticos para os óbitos. Em regiões remotas da Amazônia, a dependência de transporte fluvial ou terrestre e a distância de centros especializados dificultam a soroterapia rápida. “Em regiões remotas, as grandes distâncias, a dependência de transporte fluvial ou terrestre e a limitada disponibilidade de serviços especializados dificultam o acesso rápido à soroterapia”, afirma Freitas.

A situação é ainda mais grave nos acidentes com surucucus, comuns em áreas remotas, onde apenas 44,1% das vítimas receberam atendimento no tempo ideal (até seis horas). Além da logística, fatores culturais, como a busca por tratamentos caseiros antes de procurar o hospital, elevam o risco de complicações.

O Brasil é o terceiro país com mais acidentes com cobras no mundo. Para reduzir as mortes até 2030, a meta é otimizar a rede de vigilância e garantir que o paciente rural receba o soro antiveneno no menor tempo possível, combatendo a vulnerabilidade das populações do interior.

Com informações do Portal Amazônia.

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