Temporais causam perdas na safra de café e elevam custos de produtores em SP

O setor cafeicultor no interior de São Paulo enfrenta um cenário crítico devido a instabilidades climáticas severas. Em Garça (SP), a combinação de chuvas excessivas, ventos fortes e queda de granizo tem castigado as lavouras, resultando em perdas significativas de produtividade e queda na qualidade do grão.

O principal problema técnico reside no impacto físico das tempestades: os grãos são derrubados dos galhos e entram em contato direto com a terra úmida. Esse processo compromete a qualidade da bebida final e gera uma desvalorização imediata do produto no mercado, além de atrasar o cronograma de colheita planejado pelos produtores.

Relatos de proprietários rurais na região indicam que quase metade da safra pode ser perdida antes mesmo da conclusão dos trabalhos de colheita. O produtor José Carlos de Morais Filho, que gerencia uma plantação com 370 mil pés de café, exemplifica a gravidade da situação ao afirmar que 40% de sua produção já caiu no chão.

Do ponto de vista financeiro, o impacto é sentido diretamente no caixa do produtor. No caso de José, a desvalorização do grão que tocou o solo gera uma perda estimada em R$ 400,00 por saca. Somando as perdas de volume e de valor, o prejuízo final deve girar em torno de R$ 700.000,00.

Outro exemplo crítico é o da produtora Ellaritta Crude, que projeta a perda de 40% da safra em sua área de 450 hectares. A propriedade utiliza o sistema de sequeiro, modelo de cultivo que depende exclusivamente do regime de chuvas para a irrigação, tornando a lavoura mais vulnerável a extremos climáticos. O prejuízo estimado é de R$ 7.000,00 por hectare prejudicado.

Para mitigar os danos e tentar salvar a produção remanescente, os cafeicultores intensificaram a operação de maquinários para recolher os grãos antes da chegada de novas frentes frias. Como medida de contingência, foi adotada a colheita manual emergencial.

Embora a colheita manual seja um processo mais lento e oneroso, elevando os custos operacionais e pressionando o fluxo de caixa, ela se tornou a única alternativa viável para resgatar os frutos maduros que resistiram às tempestades, evitando que a perda financeira seja ainda maior.

Com informações do G1

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