Airbus reduz previsão de demanda por aviões devido a conflitos e tensões

A Airbus, maior fabricante de aeronaves do mundo, anunciou nesta quarta-feira (8) uma revisão para baixo em suas projeções de demanda por aviões de passageiros. A empresa reduziu em 1% a estimativa de vendas para toda a indústria global para os próximos 20 anos.

A decisão reflete o impacto direto de instabilidades geopolíticas, especificamente a guerra com o Irã e as crescentes tensões comerciais. Esses fatores têm freado a forte recuperação da atividade aérea que vinha ocorrendo desde o fim da pandemia de Covid-19.

Apesar do ajuste, a Airbus mantém a expectativa de que a Ásia continue sendo o principal motor de crescimento, devendo representar cerca de metade de todas as entregas de jatos no período. No entanto, a empresa admitiu que a sucessão de crises tarifárias e os conflitos no Golfo prejudicaram as projeções anteriores.

“Essa recuperação pós-Covid praticamente estagnou”, afirmou Antonio Da Costa, chefe de análise de mercado da companhia, em declaração a repórteres.

Essa perspectiva de crescimento mais lento indica um mercado de aviação menos dinâmico a longo prazo. O cenário é agravado pela alta nos preços do petróleo, consequência direta da guerra no Irã, o que leva as companhias aéreas a revisarem seus planos de expansão de capacidade para reduzir custos operacionais.

Ao analisar o setor como um todo — incluindo a concorrente americana Boeing e a nova entrante chinesa —, a Airbus projeta agora um total de 42.060 entregas de jatos comerciais entre 2026 e 2045. Este número representa a queda de 1% mencionada anteriormente.

O detalhamento da demanda mostra que 33.920 seriam jatos de corredor único (como a família A320neo e o Boeing 737 MAX) e 8.140 seriam jatos de fuselagem larga para longas distâncias. Ambos os segmentos registraram a mesma queda de 1% nas previsões.

Analistas apontam que esse volume de demanda mal comporta os planos de produção já anunciados por Airbus e Boeing, abrindo espaço para a ascensão do modelo chinês C919. Com isso, a escassez de aeronaves que afetou o mercado recentemente pode diminuir.

Outro ponto relevante é a mudança no perfil das compras: a Airbus espera que 47% das entregas sejam para a substituição de aviões antigos, em vez de aumentar o tamanho das frotas (projeção que era de 45%).

Quanto ao tráfego de passageiros, a empresa revisou a previsão de crescimento anual para 3,9% (antes era 3,6%), mas ressaltou que, em termos comparáveis, isso ainda é uma queda em relação aos 4,1% estimados anteriormente. A fabricante não divulgou dados sobre a demanda por aviões de carga.

Com informações do G1

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