Calor extremo ameaça a produção global de alimentos, alerta ONU

Onda de calor global coloca em risco a produção de alimentos, afetando a segurança alimentar de mais de 1 bilhão de pessoas

O calor extremo está levando os sistemas agroalimentares globais ao limite, ameaçando os meios de subsistência e a saúde de mais de 1 bilhão de pessoas, de acordo com um novo relatório das agências de alimentação e de meteorologia da Organização das Nações Unidas (ONU).

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e a Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertam que as ondas de calor estão se tornando mais frequentes, intensas e prolongadas, prejudicando as colheitas, a pecuária, a pesca e as florestas. O relatório destaca que a situação exige atenção urgente, pois a segurança alimentar global está em risco.

“O calor extremo está reescrevendo o roteiro sobre o que os agricultores, pescadores e silvicultores podem cultivar e quando podem cultivar. Em alguns casos, está até mesmo determinando se eles ainda podem trabalhar”, disse Kaveh Zahedi, chefe do escritório de mudanças climáticas da FAO. A declaração enfatiza o impacto direto e devastador do calor nas atividades agrícolas em todo o mundo.

Dados climáticos recentes indicam que o aquecimento global está se acelerando, com 2024 entre os três anos mais quentes já registrados. Essa aceleração provoca extremos climáticos mais frequentes e severos, intensificando secas, incêndios florestais e surtos de pragas. Além disso, o calor extremo reduz drasticamente a produtividade das colheitas quando as temperaturas ultrapassam os limites críticos, geralmente em torno de 30 graus Celsius.

O relatório cita o caso de Marrocos, onde seis anos de seca foram seguidos por ondas de calor recordes, resultando em uma queda de mais de 40% na produção de cereais e no fracasso das colheitas de azeitonas e frutas cítricas. As ondas de calor marinhas também estão se tornando mais comuns, reduzindo os níveis de oxigênio na água e ameaçando os estoques de peixes. Em 2024, 91% dos oceanos do mundo sofreram pelo menos uma onda de calor marinha.

A FAO e a OMM ressaltam que a adaptação por si só não é suficiente para enfrentar a crescente ameaça do calor extremo. A única solução duradoura é uma ação ambiciosa e coordenada para conter a mudança climática. Zahedi enfatiza que “Se você conseguir colocar os dados nas mãos dos agricultores, eles poderão ajustar quando plantam, o que plantam e quando colhem”, mas isso é apenas uma medida paliativa.

Os riscos aumentam exponencialmente com o aquecimento global. A intensidade dos eventos extremos de calor deve dobrar a 2 graus Celsius de aquecimento e quadruplicar a 3 graus, em comparação com 1,5 grau. Cada aumento de um grau na temperatura média global pode reduzir a produção das quatro principais culturas do mundo – milho, arroz, soja e trigo – em cerca de 6%.

Com informações do G1

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