O governo de Donald Trump tem intensificado os esforços para atrair empresas brasileiras a abrirem filiais em território americano. A movimentação ocorre simultaneamente à implementação de um “tarifaço”, com a imposição de taxas adicionais de 25% sobre produtos brasileiros que entram nos Estados Unidos.
Para viabilizar essa expansão, a Embaixada e os Consulados dos EUA no Brasil organizam um evento que percorrerá inicialmente nove cidades brasileiras. O objetivo é reunir empresários locais, especialistas do governo americano e parceiros estratégicos para incentivar a migração de investimentos para os EUA.
Essa estratégia está diretamente ligada à política protecionista adotada por Trump. O protecionismo é uma medida econômica onde o governo cria barreiras — como a cobrança de tarifas sobre produtos importados — para proteger a indústria nacional da concorrência estrangeira, estimulando a produção interna.
Segundo o presidente republicano, a aplicação desses impostos deve impulsionar a indústria dos Estados Unidos, gerar novos postos de trabalho e reduzir o déficit comercial do país. O déficit comercial acontece quando a soma das importações de um país é maior do que a soma de suas exportações.
Um exemplo recente citado por Trump foi a decisão da montadora Toyota de investir US$ 3,6 bilhões (R$ 18,5 bilhões) na construção de uma fábrica no Texas. O presidente associou esse investimento aos efeitos das tarifas impostas a outros países, mencionando que a empresa também transferirá parte da produção de caminhonetes do México para os EUA.
“A Toyota está se mudando do México para os Estados Unidos (Texas!). Grande negócio. Tarifas em ação!”, afirmou Trump em publicação na rede social Truth Social.
Em resposta, a Toyota informou que seus investimentos são guiados por “planejamento de negócios de longo prazo e por projeções de mercado”. A empresa destacou que, embora seja impactada pelas políticas comerciais, as decisões são baseadas em objetivos estratégicos para várias décadas e no compromisso de “produzir onde vendemos”.
A montadora acrescentou que a nova unidade amplia sua capacidade de produção e complementa sua rede de manufatura na América do Norte, ressaltando que a escolha do Texas considerou a infraestrutura, a proximidade de fornecedores e a disponibilidade de mão de obra.
A iniciativa de atração de empresas faz parte do SelectUSA, programa criado em 2011 e vinculado ao Departamento de Comércio dos EUA. Desde sua fundação, o programa já facilitou investimentos superiores a US$ 400 bilhões (R$ 2,1 trilhões) e contribuiu para a geração ou manutenção de mais de 270 mil empregos americanos.
No Brasil, a edição atual, chamada de “SelectUSA Every Day”, prevê passagens por Goiânia (GO), Uberlândia (MG), Uberaba (MG), Ribeirão Preto (SP), São Carlos (SP), Londrina (PR), São José dos Campos (SP), Fortaleza (CE) e Recife (PE).
Com informações do G1