O Palácio do Planalto trabalha com a expectativa de que ocorra um encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a cúpula do G7. O evento, que reúne as principais economias do mundo, será realizado entre os dias 15 e 17 de junho, na cidade de Evian, na França.
Embora não exista uma agenda oficial confirmada entre os dois chefes de Estado, fontes do governo brasileiro afirmam que a proximidade dos líderes em um grupo reduzido tornará o encontro “inevitável”. O objetivo central de Lula será discutir a imposição de tarifas comerciais e buscar o fortalecimento de parcerias estratégicas com a maior economia do mundo.
O G7 é composto por Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão. O Brasil não é membro permanente do grupo, mas o presidente Lula foi convidado para a reunião deste ano pelo anfitrião, o presidente francês Emmanuel Macron, mantendo a tendência de participação brasileira observada desde 2023.
A urgência da pauta econômica decorre de recentes relatórios norte-americanos. Uma investigação de um escritório dos EUA concluiu que 60 países, incluindo o Brasil, falharam na fiscalização de importações de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Como sanção, o governo americano propôs a aplicação de tarifas adicionais de 12,5% sobre todos os produtos desses países.
No entanto, o impacto financeiro para as exportações brasileiras pode ser ainda maior. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, essa sobretaxa deve ser somada a outra proposta, divulgada anteriormente, que acusa o Brasil de adotar práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os Estados Unidos. Este primeiro relatório previa tarifas de 25%.
Na prática, a soma das duas medidas elevaria a sobretaxa total para 37,5%, valor muito próximo aos 40% impostos no ano passado, caso as medidas entrem em vigor. Esse cenário representa um risco significativo para a balança comercial brasileira e para a competitividade dos produtos nacionais no mercado americano.
O presidente Lula afirmou nesta quarta-feira (3) que ainda não foi comunicado oficialmente sobre as novas propostas tarifárias e manifestou a intenção de enviar uma nova carta a Donald Trump. Durante reunião ministerial, Lula declarou ter sido surpreendido pelo anúncio e enfatizou que o país “não pode aceitar” o tratamento dado pelos Estados Unidos ao Brasil.
Ainda durante a reunião, o presidente reforçou críticas ao Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, a quem chamou de “latinoamericano frustrado”, evidenciando a tensão diplomática que precede a cúpula na França.
Com informações do G1