Um documento do Ministério da Justiça (MJ) revelou que, entre 2023 e 2026, ao menos sete operações policiais envolveram o uso da plataforma Discord. O relatório detalha como a ferramenta tem sido utilizada para a coordenação de atividades criminosas e a disseminação de conteúdos violentos.
De acordo com o ofício, o CIBERLAB, braço tecnológico do Ministério da Justiça, identificou que servidores e comunidades do Discord são usados recorrentemente para a prática de diversos crimes. Entre os conteúdos citados estão a crueldade contra animais, automutilação, incitação ao suicídio e a exposição de violência gráfica.
O documento alerta ainda para a disseminação de ideologias extremistas, a organização de cyberbullying, a coerção psicológica e a realização de transmissões ilícitas. O ponto mais crítico envolve vítimas vulneráveis, com destaque para a presença de menores de idade.
Diante desse cenário, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou, na última quarta-feira (12), a suspensão das transmissões ao vivo do Discord em todo o território brasileiro. A medida é preventiva e visa forçar a empresa a adotar mecanismos mais rígidos de segurança.
A ANPD estabeleceu um prazo de três dias úteis para o cumprimento da decisão. A suspensão das lives permanecerá vigente até que a plataforma comprove a implementação de medidas efetivas para proteger crianças e adolescentes. O Discord tem até esta sexta-feira (14) para apresentar seu plano de ação.
Em documento enviado ao Congresso Nacional há cerca de 15 dias, o Ministério da Justiça reforçou que a Polícia Federal mantém investigações em curso. Segundo o órgão, as plataformas digitais, incluindo o Discord, são usadas para crimes de ódio, exploração sexual e outras condutas violentas, onde jovens aparecem tanto como vítimas quanto como autores.
Houve uma tentativa de diálogo em fevereiro, quando o Ministério da Justiça se reuniu com representantes do Discord. No entanto, o governo brasileiro avalia que, apesar das medidas apresentadas pela empresa, “persistem desafios relevantes que demandam o aprofundamento de medidas preventivas e o fortalecimento de mecanismos de atuação proativa por parte das plataformas”.
Procurados para comentar o teor do documento e as medidas adotadas, tanto o Ministério da Justiça quanto o Discord não responderam até o fechamento desta matéria.
Com informações do G1