Paz entre EUA e Irã reforça expectativa de queda nos juros nesta quarta

O mercado financeiro aguarda com expectativa a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que acontece nesta quarta-feira (17). A maior parte dos analistas já previa uma redução na taxa básica de juros da economia, mas o cenário se consolidou após o anúncio de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, na noite de domingo (14).

Atualmente, a taxa Selic está fixada em 14,5% ao ano. A projeção dominante entre os especialistas é de um corte de 0,25 ponto percentual, o que levaria o índice para 14,25% ao ano. Caso a decisão seja confirmada, esta será a terceira redução consecutiva nos juros brasileiros. O anúncio oficial do Banco Central será divulgado após as 18h.

A taxa básica é a ferramenta principal do Banco Central para controlar a inflação. Quando os juros sobem, o consumo tende a diminuir, freando a alta de preços; quando descem, o crédito fica mais barato, estimulando a economia, mas exigindo cautela para que a inflação não volte a subir, o que prejudica principalmente as famílias de baixa renda.

Um fator determinante para essa expectativa é a queda no preço do petróleo, motivada pela desobstrução do estreito de Ormuz após a diminuição das tensões no Oriente Médio. Como o combustível impacta diversos custos de transporte e produção, a queda no barril atenua a pressão sobre a inflação no Brasil.

Além disso, os dados da inflação oficial (IPCA) de maio trouxeram alívio. O índice registrou alta de 0,58%, um valor menor do que os 0,67% observados em abril, indicando uma desaceleração nos preços.

“Com IPCA ‘menos ruim’ e o petróleo abrindo a semana próximo de US$ 80 [com o anúncio do acordo de paz], o Copom deve cortar na reunião dessa quarta e pode deixar em aberto o comunicado. Os próximos passos vão depender do cenário, se confirmando a inflexão na inflação e expectativas 2027 e 2028 sem mudanças, podem ainda seguir cortando 25bps [0,25 ponto percentual]”, avaliou a economista-chefe do banco Inter, Rafaela Vitória.

Bruna Centeno, economista da Blue3 Investimentos, destacou que o acordo de paz gerou um “alívio generalizado” nos ativos de risco. Segundo a analista, a curva de juros no mercado futuro já reflete a queda em diversos prazos.

“Essa semana é importante porque esse alívio generalizado ele marca uma das semanas mais aguardadas que é exatamente essa precificação de juros em relação ao super quarta de Brasil e Estados Unidos. Mesmo com a curva de ir fechando em queda em todos os vencimentos, ainda é aguardado esse corte de 0,25 [ponto percentual] para quarta feira”, afirmou a especialista.

Para tomar a decisão, o Banco Central utiliza o sistema de metas. Atualmente, a meta central de inflação é de 3%, com uma margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%. O BC não olha apenas para os preços de hoje, mas para as projeções futuras, pois a alteração da Selic demora de seis a 18 meses para impactar plenamente a economia.

Mesmo com projeções do mercado indicando que o IPCA poderá fechar o próximo ano em 4,10% — acima da meta de 3% —, o BC tem justificado cortes recentes. Na ata de abril, a instituição afirmou que a manutenção prolongada da taxa em 15% ao ano, o nível mais alto em duas décadas, desacelerou a economia a ponto de permitir reduções graduais sem comprometer a convergência da inflação para a meta.

“Mantido o compromisso fundamental de garantia da convergência da inflação à meta dentro do horizonte relevante para a política monetária, o Comitê estabeleceu que a magnitude e a duração do ciclo de calibração serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises”, informou o Banco Central.

Com informações do G1

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