Tensão no Oriente Médio eleva petróleo a quase US$ 105. Apreensão de navios pelo Irã acende alerta nos mercados globais
O preço do petróleo registrou alta nesta quinta-feira (23), impulsionado pela escalada das tensões no Estreito de Ormuz e pelo agravamento do conflito envolvendo o Irã.
O barril do Brent avançou cerca de 2,5% ao longo da manhã, chegando a se aproximar de US$ 105. Por volta das 9h58 (horário de Brasília), era negociado a US$ 102,71, com alta de 0,79%. O movimento reflete o aumento do risco geopolítico, que pressionou os mercados globais.
A alta foi desencadeada pela apreensão de dois navios pelo Irã que tentavam deixar o estreito — uma das principais rotas do comércio mundial de petróleo. O episódio aumentou as incertezas sobre a continuidade do cessar-fogo com os Estados Unidos e deixou os investidores mais cautelosos. O Irã continua exportando petróleo de forma discreta, mesmo sob bloqueio naval na região.
O cessar-fogo foi prorrogado pelo presidente Donald Trump, mas Teerã ameaça abandonar a trégua e as negociações caso a restrição marítima não seja suspensa. A tensão aumentou após novos ataques a embarcações. Em paralelo, o Hezbollah sinalizou que pretende manter a trégua com Israel, desde que o acordo seja respeitado — um indicativo de que o conflito permanece contido em algumas frentes, mas longe de uma solução ampla.
O cenário pressionou os mercados. Na Europa, as principais bolsas caíram entre 0,2% e 0,8%, em meio a sinais de desaceleração econômica. Dados recentes apontaram contração inesperada da atividade empresarial na zona do euro, especialmente em Alemanha e França, segundo a agência Reuters. Nos Estados Unidos, os futuros de Wall Street operaram em queda, enquanto investidores aguardam novos desdobramentos da crise. Os rendimentos dos Treasuries subiram, acompanhando a alta do petróleo. Na Ásia, os mercados chegaram a renovar máximas históricas antes de recuar diante do avanço dos preços da energia.
Analistas avaliam que o ambiente segue altamente instável. “Os mercados estão extremamente sensíveis. Mesmo um ruído não confirmado sobre escalada já é suficiente para impulsionar o petróleo e pressionar ativos de risco”, afirmou Charu Chanana, em entrevista à agência. Persistem preocupações com possíveis interrupções mais severas no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz — cenário que pode prolongar a alta dos preços e intensificar pressões inflacionárias globais.
O mercado, segundo especialistas, segue em um ambiente de incerteza, no qual qualquer novo desdobramento pode provocar fortes oscilações.
Com informações do G1