Operação policial usou dados do iCloud para rastrear esquema de lavagem de R$ 1,6 bilhão e prender MCs Ryan SP e Poze do Rodo
A operação que levou à prisão dos MCs Ryan SP e Poze do Rodo começou com a análise de arquivos armazenados no iCloud, da Apple, do contador Rodrigo de Paula Morgado, em uma investigação anterior. O caso revelou um esquema de organização criminosa suspeita de lavar mais de R$ 1.600.000.000,00.
Segundo investigadores, o material armazenado na nuvem permitiu cruzar extratos bancários, comprovantes, conversas, registros societários, contratos, procurações e documentos financeiros. O backup do iCloud se tornou um verdadeiro “mapa” da organização, permitindo identificar a relação entre operadores financeiros, empresas de fachada, influenciadores e artistas.
🔎 O iCloud é o serviço de armazenamento em nuvem da Apple que permite guardar fotos, vídeos, senhas, notas e documentos, sincronizando-os automaticamente entre dispositivos Apple. É similar ao Google Drive e ao Dropbox. “Como o serviço reúne fotos, e-mails, calendário, notas e outros dados, fica relativamente fácil traçar uma espécie de ‘rotina’ da pessoa a partir dessas informações”, afirma José Adorno, especialista em tecnologia e no ecossistema da Apple.
Apesar de ser considerado um serviço seguro, com dados criptografados e acesso protegido pela Conta Apple, a Apple pode fornecer essas informações às autoridades mediante ordem judicial. No entanto, com a ativação da Proteção de Dados Avançados, a empresa não consegue acessar os dados, embora nem todos os tipos de arquivos sejam cobertos por essa camada extra de segurança, como e-mails, contatos e calendário. Quando um arquivo é apagado do iPhone, ele é removido de todos os dispositivos vinculados, mas pode permanecer na lixeira do iCloud por até 30 dias.
Rodrigo Morgado depositava grande confiança na segurança digital do iCloud, o que acabou facilitando o trabalho da Polícia Federal. A Justiça autorizou a apreensão de dados armazenados em nuvem, incluindo iCloud e Google Drive, além de celulares, HDs, notebooks e smartphones, com acesso imediato aos conteúdos durante as buscas.
Na prática, o iCloud permitiu que a PF mapeasse a organização criminosa, identificando a relação entre os envolvidos. A análise dos dados revelou a complexidade do esquema e a confiança de Morgado na segurança da nuvem.
Com informações do G1