Um levantamento exclusivo do projeto Amazônia Revelada aponta que 67% dos sítios arqueológicos registrados pelo Iphan na Amazônia Legal estão sobrepostos a áreas inscritas no Cadastro Ambiental Rural (CAR). O problema é que, embora as áreas coincidam, a presença desses patrimônios históricos não aparece nas consultas públicas do sistema, o que pode levar ao apagamento da história de povos indígenas e comunidades tradicionais.
A falha na integração de dados gera riscos reais para o patrimônio. Sem alertas no CAR, obras de infraestrutura, agricultura mecanizada e mineração podem ser autorizadas pelo próprio Estado sem a realização de estudos arqueológicos adequados. “Certamente, temos assistido à destruição de sítios arqueológicos autorizada pelo Estado brasileiro”, alerta Bruna Rocha, presidente da Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB)

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A situação é crítica em termos de fiscalização. Dos sítios sobrepostos, 85% estão em imóveis rurais privados, onde o acesso de técnicos do Iphan muitas vezes é barrado pelos proprietários. Além disso, a estrutura do órgão é mínima: estados como Rondônia, Acre e Amapá contam com apenas um profissional de arqueologia para monitorar todo o território estadual

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Com as novas regras de licenciamento ambiental da Lei nº 15.190/2025, que simplificam processos via declaração do empreendedor, o risco aumenta. Se a base de dados oficial é incompleta, a ausência de registro pode ser interpretada erroneamente como prova de que não existe patrimônio na área, facilitando a destruição de vestígios milenares em prol da expansão econômica.
Com informações do Portal Amazônia.