A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, responsável pela produção dos medicamentos Ozempic e Wegovy, acionou a Justiça dos Estados Unidos contra a americana Eli Lilly, fabricante do Mounjaro e Zepbound. A empresa acusa a concorrente de realizar publicidade enganosa em suas campanhas de tratamentos para perda de peso.
O processo foi protocolado nesta terça-feira (21) em um tribunal federal de Nova Jersey. Segundo a Novo Nordisk, a Eli Lilly teria violado leis federais e estaduais de publicidade e de concorrência ao veicular campanhas nacionais para o Zepbound, indicado para obesidade, e para o Mounjaro, utilizado no tratamento de diabetes tipo 2.
O ponto central da disputa reside na comparação de eficácia entre os fármacos. A Novo Nordisk alega que a Eli Lilly comparou as doses mais altas aprovadas de seus próprios produtos com versões de menor dosagem do Wegovy e do Ozempic. Com isso, a empresa dinamarquesa afirma que estudos mais recentes e doses maiores — que apresentariam resultados superiores — foram deliberadamente ignorados.
Na ação judicial, a farmacêutica classifica os anúncios como “falsos e enganosos”, argumentando que a rival utilizou dados de ensaios clínicos desatualizados para sustentar a tese de superioridade de seus medicamentos. Até o momento, a Eli Lilly, sediada em Indianápolis, não se manifestou sobre o caso.
Em termos de números, a Novo Nordisk aponta que os anúncios da Eli Lilly destacam uma perda média de aproximadamente 22,7 quilos (50 libras) com o Zepbound, contra 15 quilos (33 libras) com o Wegovy. No entanto, a empresa argumenta que, ao utilizar as doses máximas atualmente aprovadas, a diferença cai drasticamente: 21,8 quilos (48 libras) para o Zepbound contra 21,3 quilos (47 libras) para o Wegovy.
Esta batalha jurídica reflete uma disputa bilionária por fatia de mercado. Analistas estimam que o setor de medicamentos para obesidade nos Estados Unidos possa superar US$ 100 bilhões até 2030. A Novo Nordisk, que liderou inicialmente com o Wegovy, viu seu espaço ser reduzido com a chegada do Zepbound, reagindo com o lançamento de versões orais de seus produtos.
Diferente do Brasil, os Estados Unidos permitem que farmacêuticas façam publicidade de medicamentos sob prescrição diretamente ao consumidor final, gerando investimentos anuais de bilhões de dólares em mídias de massa.
A Novo Nordisk solicita agora a indenização financeira, a retirada imediata das peças publicitárias e a obrigatoriedade de uma campanha corretiva para esclarecer as informações ao público. John Kuckelman, diretor jurídico da empresa, afirmou que a campanha da Eli Lilly já foi exibida mais de 700 milhões de vezes desde que modificações insuficientes foram feitas nos anúncios em abril.
Com informações do G1