Indústrias alertam que retaliação comercial aos EUA pode encarecer produção

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) emitiu um alerta nesta sexta-feira (14) sobre os riscos de uma escalada de retaliações comerciais entre o Brasil e os Estados Unidos. Segundo a entidade, a adoção de medidas punitivas pode elevar os custos de produção, afastar investimentos e colocar em risco postos de trabalho em todo o país.

O posicionamento ocorre após o governo brasileiro acionar a Lei da Reciprocidade Econômica. Esse mecanismo legal permite que o Brasil aplique a outra nação as mesmas restrições ou tarifas que sofreu. Na prática, se um governo estrangeiro impõe barreiras unilaterais consideradas injustas, o Brasil pode reagir “na mesma moeda” para tentar reequilibrar as relações comerciais e proteger a economia nacional.

Apesar de concordar que o Brasil deve defender seus interesses, a FIEMG defende que a prioridade seja evitar o agravamento da disputa. No mesmo sentido, a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) reforça que “o caminho prioritário deve ser a intensificação do diálogo de alto nível e das negociações entre os dois governos, com o objetivo de reduzir as sobretaxas atualmente em vigor, evitar novas restrições e construir um entendimento que preserve e amplie o comércio e os investimentos bilaterais”.

A visão da Amcham é respaldada por dados do setor empresarial. Em pesquisa recente, 90,5% das empresas consultadas defenderam a intensificação do diálogo diplomático e comercial, enquanto apenas 3,2% viram a reciprocidade como a melhor estratégia.

É importante destacar que o acionamento da Lei da Reciprocidade não implica na aplicação automática de tarifas. O governo brasileiro tem priorizado consultas diplomáticas e, até o momento, nenhuma medida retaliatória ou restrição à propriedade intelectual foi implementada. A Amcham considera “fundamental que esse procedimento seja conduzido com equilíbrio, moderação e avaliação criteriosa de seus potenciais impactos, assegurando ampla participação do setor empresarial”.

O temor da indústria reside no fato de que muitas empresas brasileiras utilizam insumos, máquinas e tecnologias americanas em seus processos. A FIEMG alerta que a aplicação de tarifas sobre esses produtos elevaria os custos de produção, reduzindo a competitividade das empresas nacionais. O país poderia, assim, sofrer um prejuízo duplo: a dificuldade de exportar para os EUA e o encarecimento da produção interna.

Para dimensionar o risco, a FIEMG cita um estudo de 2025 que analisou um cenário hipotético de sobretaxa recíproca de 50% nas importações dos Estados Unidos. A estimativa é que a perda para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro pudesse chegar a R$ 259 bilhões, o que representa 2,21% da economia do país. Os impactos chegariam a fornecedores, trabalhadores e à arrecadação governamental.

Diante desse cenário, a federação defende que o Brasil utilize seus instrumentos de defesa comercial de forma estratégica, mantendo a negociação como via principal para reverter barreiras e preservar contratos e empregos.

Com informações do G1

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