Galípolo alerta para risco de dívidas caras usadas em gastos do dia a dia

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, manifestou preocupação nesta segunda-feira (24) com a expansão de modalidades de crédito com juros elevados e ausência de garantias, em um contexto onde o endividamento das famílias brasileiras permanece em patamares altos.

De acordo com a autoridade monetária, o aumento recente do volume de dívidas tem sido impulsionado, principalmente, por linhas de crédito destinadas ao consumo e ao pagamento de despesas recorrentes, fator que gera alerta no BC.

“Não dá para ficar contente porque o crédito cresceu e depois reclamar que o endividamento cresceu”, afirmou Galípolo durante sua participação no evento Febraban Tech.

O presidente do Banco Central ressaltou que o nível de endividamento segue em trajetória de alta, mesmo com a melhora observada no mercado de trabalho. Em junho, a taxa de desemprego recuou para 5,4%, registrando o menor índice para aquele período. Paralelamente, em maio, a renda disponível das famílias alcançou a marca recorde de R$ 822 bilhões.

Para Galípolo, o ponto central da preocupação não reside apenas no montante total da dívida, mas na natureza do crédito que está sendo contratado. Ele estabeleceu uma distinção clara entre os financiamentos voltados à construção de patrimônio, como a aquisição de imóveis, e as dívidas contraídas para custear despesas de consumo, que não resultam em um bem para o consumidor.

“Nem todo tipo de endividamento é um problema. Comprar uma casa, por exemplo, gera um ativo. O problema é quando a dívida é usada para algo que não se transforma em ativo, principalmente quando envolve juros elevados”, explicou Galípolo.

Além da questão do endividamento, Galípolo comentou sobre o elevado grau de confiança da população brasileira no PIX. Durante a apresentação, ele brincou com os dados de uma pesquisa realizada pela Quaest.

Os números indicam que 80% dos brasileiros confiam no sistema de pagamentos instantâneos, enquanto 70% afirmam confiar no próprio cônjuge. “Em primeiro, como instituição… e cônjuge em quinto. Isso me preocupa”, brincou o presidente do BC.

A pesquisa da Quaest revela que o PIX supera a confiança em instituições tradicionais, como a Igreja Católica (76%), a Polícia Militar (75%) e as Forças Armadas (70%). O sistema também aparece à frente da Presidência da República (57%), do Supremo Tribunal Federal (50%), do Congresso Nacional (49%), de redes sociais (44%), partidos políticos (44%) e juízes de futebol (41%).

Ao analisar esses resultados, Galípolo enfatizou que o PIX se consolidou como um dos principais instrumentos de inclusão financeira no Brasil. Conforme estudo do Banco Central, a ferramenta é utilizada por 148 milhões de pessoas físicas — o que representa 86% da população adulta — e por 12,8 milhões de empresas.

Com informações do G1

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