Novo CEO brasileiro da Coca-Cola aposta em embalagens menores para driblar inflação e manter vendas em alta
A Coca-Cola, sob a liderança do novo CEO brasileiro Henrique Braun, ajustou sua estratégia para enfrentar o aperto no orçamento das famílias e a queda no consumo de refrigerantes, especialmente nos Estados Unidos. A empresa passará a oferecer embalagens menores e mais acessíveis, buscando sustentar as vendas em um cenário de alta inflação.
Em entrevista ao The Wall Street Journal, Braun explicou que a Coca-Cola prefere ajustar o tamanho das embalagens em vez de reduzir preços com promoções. “Na América do Norte, vimos o avanço das mini latas e dos multipacks. Também levamos versões individuais menores para lojas de conveniência, que passaram a ser uma opção de entrada mais barata”, afirmou. A ideia é que o consumidor pague menos por unidade, mesmo que leve uma quantidade menor de produto, e compre com mais frequência.
Além das latinhas menores, a companhia lançou uma garrafa de 1,25 litro, pensada para o consumo doméstico, como uma opção intermediária em termos de tamanho e preço. Apesar dos desafios, a Coca-Cola apresentou resultados positivos no primeiro trimestre, com lucro por ação de US$ 0,91, um aumento de 18% em comparação com o ano anterior (US$ 0,86 considerando ajustes), superando as expectativas do mercado.
A receita também cresceu 12%, atingindo US$ 12,5 bilhões, impulsionada principalmente pela maior venda de concentrados. No entanto, o consumo ainda enfrenta dificuldades, com a confiança dos consumidores nos Estados Unidos caindo para o nível mais baixo já registrado pela Universidade de Michigan, devido a preocupações com a inflação, conflitos internacionais e um mercado de trabalho mais fraco.
No Brasil, a Coca-Cola FEMSA, responsável pela produção e distribuição das bebidas da Coca-Cola, registrou um crescimento de 3,6% no volume de vendas, totalizando 306 milhões de caixas, e uma receita de cerca de US$ 1,2 bilhão, alta de 5% em relação ao ano anterior. Esse crescimento ajudou a compensar a fraqueza no México, principal mercado da divisão México e América Central. A divisão América do Sul registrou um avanço de 18,8% no lucro operacional.
Henrique Braun, com dupla nacionalidade brasileira e americana, assumiu o cargo de CEO global da Coca-Cola em março deste ano, após quase 30 anos de carreira na companhia. Ele substituiu James Quincey, que permanece como chairman. A escolha de Braun reflete sua experiência internacional e atuação em um período de mudanças no consumo e maior concorrência.
Com informações do G1