Alho importado derruba preços e agricultores brasileiros descartam colheita

Preço baixo do alho importado, principalmente da China e Argentina, leva produtores brasileiros a jogar a produção no lixo

Produtores de alho no Brasil enfrentam dificuldades para escoar a safra devido à forte concorrência com o alho importado, que chega ao país com preços mais baixos. Em alguns casos, agricultores estão considerando descartar toneladas de alho por não conseguir cobrir os custos de produção.

Everson Tagliari, agricultor do Rio Grande do Sul, cogita jogar 50 toneladas de alho no lixo diante da inviabilidade econômica da venda. Outros produtores preferem não comercializar a safra quando o valor oferecido não cobre os custos de cultivo. O Brasil consome cerca de 320 mil toneladas de alho anualmente, mas produz apenas 170 mil toneladas, de acordo com a Associação Nacional dos Produtores de Alho (Anapa), com a maior parte da produção concentrada nas regiões Centro-Oeste e Sul.

Para suprir a demanda interna, o país precisa importar aproximadamente 60% do alho consumido, sendo a Argentina o principal fornecedor. O restante vem, majoritariamente, da China, o maior produtor mundial. Apesar da aplicação de uma tarifa extra sobre o alho chinês desde a década de 90, o produto é vendido por cerca de R$ 10 o quilo, valor inferior ao custo de produção do alho brasileiro, que gira em torno de R$ 13 por quilo.

No ano passado, o governo brasileiro firmou um acordo com três exportadores chineses para definir um preço mínimo para o produto. Contudo, a Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) denuncia a existência de um mercado desleal. “No caso do alho chinês, já é comprovado um mercado desleal em função de práticas adotadas no país. Subsídios em armazenagem, em estrutura de comercialização, estruturas produtivas fazem com que o alho chinês chegue ao Brasil e cause um dano à indústria nacional”, afirma Letícia Barony, assessora técnica da CNA.

Produtores do Rio Grande do Sul relatam prejuízos de até R$ 5 por quilo vendido devido à concorrência com o alho argentino, segundo Franchielle Motter, presidente da Associação dos Produtores de Alho do estado. A Anapa informa que já enviou 35 ofícios a órgãos do governo federal denunciando a concorrência desleal, mas ainda não obteve resposta.

A situação exige medidas urgentes para proteger a produção nacional de alho e garantir a renda dos agricultores brasileiros.

Com informações do G1

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