Agro 5.0: tecnologia reduz custos e desperdício no campo

A chegada do conceito denominado “Agro 5.0” está promovendo uma transformação profunda na rotina do trabalho rural. Por meio da implementação de novas tecnologias de automação, produtores rurais no interior de São Paulo estão conseguindo otimizar processos, cortar custos operacionais e elevar a produtividade de suas propriedades.

Um exemplo prático dessa modernização ocorre em Guararapes (SP), onde uma fazenda utiliza sistemas de monitoramento digital para gerir um rebanho de 11 mil cabeças de gado. A digitalização permite que as informações coletadas diretamente no pasto sejam transmitidas em tempo real para o escritório, eliminando a dependência de anotações manuais e reduzindo a margem de erro.

O coordenador de pecuária, Antônio Avelino Mateus, afirma que o sistema permitiu correções rápidas e reduziu em 90% as chances de erros. A propriedade, que comercializa anualmente 1 mil touros e 700 fêmeas reprodutoras (matrizes), além de produzir material genético, utiliza o aplicativo para manter um histórico rigoroso de cada animal, incluindo peso, data de nascimento, consumo de ração e histórico de medicações.

Para o coordenador administrativo, Fernando Barbosa, o monitoramento digital ajuda a identificar problemas genéticos nos animais de forma ágil. Complementando a visão técnica, a consultora de pesquisa, Ana Carolina, explica que o sistema é atualizado constantemente com base no dia a dia da fazenda, o que traz mais precisão e agilidade para o banco de dados.

Além da pecuária, a agricultura de precisão também apresenta avanços significativos. Em Araçatuba (SP), uma fazenda experimental implementou o uso de robôs movidos a energia solar para a aplicação de insumos. A tecnologia permitiu uma redução de 90% no desperdício de defensivos agrícolas (agrotóxicos), pois as máquinas identificam as plantas daninhas e aplicam o produto apenas onde é estritamente necessário.

Segundo a especialista em sustentabilidade Patrícia Dias, a técnica evita o desperdício e diminui o consumo de combustível dos tratores, já que as máquinas dependem apenas do sol. Esse modelo de operação não apenas reduz a pegada ambiental, mas também melhora a eficiência financeira da atividade agrícola ao diminuir a compra de insumos desnecessários.

Contudo, a transição para o Agro 5.0 impõe novos desafios ao mercado de trabalho. A chegada dessas tecnologias exige que os trabalhadores do campo passem por treinamentos específicos para operar os novos sistemas, evidenciando a necessidade de qualificação profissional para acompanhar a evolução tecnológica do setor.

Com informações do G1

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