O termo bioeconomia tornou-se central nos discursos políticos e conferências climáticas, como a COP de Belém, surgindo como a resposta para o dilema de conservar a floresta enquanto se gera prosperidade. No entanto, o jornalista e economista Olímpio Guarany questiona: bioeconomia para quem? Para ele, qualquer proposta regional só terá sentido se alcançar efetivamente os povos da floresta.
Durante expedições pelos rios da Amazônia, Guarany observou que a floresta nunca foi improdutiva, mas que a riqueza gerada raramente permanece onde é produzida. O conceito de “sociobioeconomia”, defendido por lideranças como Tereza Arari do Instituto Iepé, propõe que a comercialização de produtos, como o açaí, deve respeitar o conhecimento ancestral e os ciclos naturais, evitando a monocultura

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O autor ressalta que não se trata de romantizar a pobreza, pois indígenas e extrativistas buscam renda, educação e qualidade de vida. O ponto crítico é o modelo de prosperidade: a riqueza não pode continuar saindo da floresta enquanto as comunidades locais permanecem marginalizadas e sem assistência básica.
A realidade é dura, como exemplificado pela liderança Mitoli Cachoana, da Terra Indígena Tumucumaque, que aponta a dependência de pequenas aeronaves para acesso à saúde e educação. Isso prova que não existe bioeconomia consistente sem a devida inclusão territorial e infraestrutura mínima para quem habita a região.
Para que a “floresta em pé” seja um projeto econômico viável, ela deve garantir a dignidade de seus habitantes. Se indígenas, quilombolas e ribeirinhos não forem os protagonistas, a bioeconomia corre o risco de ser apenas “mais uma palavra bonita nos documentos internacionais — distante da Amazônia real”.
Com informações do Portal Amazônia.