O Departamento de Justiça dos Estados Unidos deu sinal verde, na última sexta-feira (12), para que a Paramount Skydance adquira a Warner Bros. Discovery. A operação, avaliada em US$ 110 bilhões, recebeu o aval do órgão regulador após a conclusão de que a fusão não representa riscos à livre concorrência nos mercados de cinema, televisão e serviços de streaming.
Esta decisão representa um passo importante para a concretização do negócio, embora a transação ainda precise de outras aprovações regulatórias e possa enfrentar batalhas judiciais, tanto em território americano quanto no exterior.
Em nota oficial, a divisão antitruste do governo dos EUA afirmou que a transação não ameaça a competição no setor de mídia e entretenimento. Com esse posicionamento, a Paramount consegue evitar, momentaneamente, contestações diretas do governo federal, embora a pressão de alguns estados americanos permaneça.
A empresa agora aguarda a decisão da Comissão Federal de Comunicações dos EUA (FCC). O órgão analisa a legalidade de investimentos estrangeiros que financiam a compra, ponto que gerou preocupação entre senadores americanos devido à participação de empresas chinesas e fundos soberanos do Oriente Médio na operação.
Se concretizada, a fusão criará um dos maiores conglomerados de mídia do planeta. O novo grupo reunirá ativos de peso, como os canais CNN, CBS e HBO, além de estúdios responsáveis por franquias globais como “Harry Potter” e “Missão: Impossível”.
A Paramount argumenta que a união das empresas é necessária para aumentar a competitividade frente a gigantes do setor, como a Netflix e a Disney, negando que a operação configure um monopólio ou problemas antitruste.
Apesar do aval do Departamento de Justiça, a resistência continua. Estados como Nova York e Califórnia preparam ações judiciais para tentar barrar a compra. Além disso, a Autoridade de Concorrência e Mercados (CMA) do Reino Unido e reguladores da União Europeia também investigam os possíveis impactos do negócio no mercado europeu.
No campo profissional, a fusão é vista com cautela em Hollywood. Atores, roteiristas e diretores temem que a integração das empresas resulte em demissões em massa e na redução da diversidade de produções audiovisuais.
Analistas de mercado já previam que o Departamento de Justiça não barraria a transação. Entre os motivos citados estão as conexões políticas da Paramount: Larry Ellison, cofundador da Oracle e pai do CEO David Ellison, possui vínculos com o presidente Donald Trump, e a companhia integrou ex-membros da administração republicana em sua estrutura.
Com informações do G1