Chefe do Fed sinaliza alta de juros nos EUA para frear inflação

O presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, indicou nesta sexta-feira (28) que o banco central dos Estados Unidos poderá elevar as taxas de juros nos próximos meses como estratégia para conter a inflação no país.

A declaração foi interpretada como um sinal mais direto do que as manifestações anteriores de Warsh sobre o cenário econômico americano. O dirigente do Fed afirmou que, embora os dados recentes mostrem evolução, é preciso manter a cautela.

“Precisamos ter certeza de que a inflação subjacente está se movendo em direção ao nosso objetivo, de forma clara e em velocidade suficiente”, declarou Warsh durante a conferência anual do Fed. “Caso contrário, temos trabalho a fazer”.

A condução da política monetária nos EUA gera reflexos diretos na economia brasileira. Com as taxas americanas em patamares historicamente altos, aumenta a pressão para que a Selic, a taxa básica de juros do Brasil, permaneça elevada por mais tempo, além de influenciar a cotação do câmbio.

Warsh não confirmou que um aumento dos juros seja iminente, mas reforçou que o combate à inflação é a prioridade do momento. Atualmente, o índice oficial de preços dos EUA segue acima da meta de 2% estabelecida pelo Fed.

O presidente do BC americano também evitou fornecer a chamada “orientação futura” sobre a trajetória dos juros, mas sugeriu que o nível atual das taxas não está prejudicando a atividade econômica dos Estados Unidos.

Após o discurso, a plataforma FedWatch, do CME Group, passou a indicar 59,5% de probabilidade de o Fed subir os juros em 0,25 ponto percentual, elevando a faixa para 3,75% a 4% ao ano. A próxima reunião do BC americano para discutir a taxa ocorrerá nos dias 15 e 16 de setembro.

Para Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, a fala teve um “tom mais hawkish” — termo usado para descrever posturas mais rigorosas contra a inflação e favoráveis à alta de juros. Segundo ele, o discurso reforçou que a inflação não está caindo na velocidade esperada.

“Warsh também demonstrou preocupação com a pressão das commodities, especialmente do petróleo”, pontuou Praça. O analista destacou que o efeito imediato foi sentido nos juros dos títulos do governo americano, que atingiram máximas recentes, refletindo a expectativa de uma política monetária restritiva prolongada.

Esse cenário torna os investimentos nos EUA mais atraentes, o que tende a fortalecer o dólar e pressionar as bolsas de valores.

Como consequência, o dólar subiu 0,66% frente ao real nesta sexta-feira, sendo cotado a R$ 5,1959. Já o Ibovespa, apesar do tom de Warsh, subiu 0,30%, atingindo 175.665 pontos, movendo-se na direção oposta às bolsas de Nova York.

O índice brasileiro foi impulsionado pela valorização de ações da Petrobras (+1,99%), devido às variações no preço do petróleo, e do Banco do Brasil (+1%). Com isso, o dólar fechou a semana com alta de 1%, enquanto o Ibovespa acumulou ganho de 2,71%, somando oito dias consecutivos de alta.

Em Wall Street, os índices fecharam em queda. O Dow Jones recuou 0,02%, aos 53.559,99 pontos; o S&P 500 caiu 0,25%, aos 7.711,76 pontos; e o Nasdaq recuou 0,52%, aos 26.402,42 pontos.

Juros altos nos EUA mantêm a rentabilidade das Treasuries (títulos públicos americanos) atraente. Por serem ativos de baixíssimo risco, eles atraem capital estrangeiro, fortalecendo a moeda americana.

Essa dinâmica tende a reduzir o fluxo de capital estrangeiro para o Brasil, o que desvaloriza o real. Além disso, o dólar alto pressiona a inflação doméstica, forçando o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil a manter a Selic em níveis elevados.

Com informações do G1

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