Conflito entre EUA e Irã eleva preço do petróleo ao maior nível desde junho

Os preços do petróleo registraram forte alta neste domingo (19), impulsionados pelo aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Na abertura das negociações, o barril do tipo Brent, principal referência internacional, ultrapassou a marca de US$ 90 (aproximadamente R$ 460,53), atingindo o patamar mais elevado desde junho.

A valorização já vinha ocorrendo na sexta-feira (17), quando o Brent fechou com alta de 2,86%, cotado a US$ 86,64. Com esse movimento, a commodity acumulou uma alta superior a 13% na semana, aproximando-se do maior ganho semanal desde abril, quando registrou avanço de 16,5%.

O petróleo West Texas Intermediate (WTI), que serve como referência para o mercado dos Estados Unidos, também apresentou forte valorização. Na sexta-feira, o contrato subiu 3,15%, chegando a US$ 81,44 por barril, com alta acumulada de 12,4% no período semanal.

Contudo, na manhã desta segunda-feira (20), os contratos futuros apresentaram uma leve correção. Por volta das 7h17, o Brent recuava 0,07%, cotado a US$ 88,04, enquanto o WTI caía 0,54%, para US$ 81,34.

O mercado segue pressionado por incertezas sobre o tráfego no Estreito de Ormuz. A região é uma rota estratégica fundamental para a economia global, por onde circula cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo. A passagem foi bloqueada pelo Irã em resposta a ataques realizados pelos Estados Unidos.

Em retaliação, o presidente norte-americano, Donald Trump, retomou restrições a embarcações iranianas que utilizam o estreito. No domingo (19), o Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos (Centcom) anunciou uma nova ofensiva contra o Irã, marcando o nono dia consecutivo de ataques, após a morte de três militares americanos.

A instabilidade na região ficou evidente com a explosão de dois petroleiros que atravessavam o Estreito de Ormuz no domingo. Enquanto a Guarda Revolucionária do Irã classificou os episódios como um “acidente”, outras duas embarcações desistiram de seguir pela rota. Paralelamente, o jornal The New York Times informou que os EUA iniciaram o envio de mais aviões de guerra para a região.

Anteriormente, Donald Trump cogitou a cobrança de um pedágio de 20% sobre cargas que cruzassem o estreito, mas recuou da proposta, afirmando que buscaria acordos comerciais e de investimento com países do Golfo Pérsico.

Para o mercado financeiro, o agravamento do conflito gera preocupação com a oferta global de petróleo, especialmente em um momento de estoques reduzidos e demanda elevada. O principal risco para os investidores é que a alta da commodity pressione os preços dos combustíveis e alimente a inflação global.

Esse cenário inflacionário pode forçar a manutenção de políticas monetárias mais rígidas, mantendo as taxas de juros elevadas por mais tempo, o que tende a desacelerar o crescimento econômico em diversos países, inclusive no Brasil.

Com informações do G1

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