EUA sancionam brasileiros e empresas por lavagem de dinheiro para o PCC

O governo dos Estados Unidos anunciou, nesta quarta-feira (1º), a aplicação de sanções econômicas contra dois cidadãos brasileiros, três empresas sediadas no Brasil e uma companhia de Portugal. A medida ocorre sob a acusação de que os alvos estariam integrando a rede de lavagem de dinheiro da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

As sanções fazem parte de uma estratégia mais ampla do governo Trump, que em junho classificou o PCC e o Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas internacionais. No comunicado oficial do Departamento do Tesouro, a facção foi descrita como a “maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental”, representando uma “ameaça significativa à segurança nacional dos EUA”.

Na prática, as sanções financeiras impõem restrições severas. Todos os bens das pessoas e empresas sancionadas que estejam em território americano ficam imediatamente bloqueados e são reportados ao Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC). Além disso, qualquer empresa que pertença, direta ou indiretamente, em 50% ou mais aos sancionados também terá seus ativos congelados.

O governo americano também proibiu todas as transações realizadas por pessoas dos EUA, ou dentro de seu território, que envolvam propriedades ou interesses dos alvos. Um ponto crítico para o sistema financeiro global é o alerta sobre sanções secundárias: instituições financeiras estrangeiras que “conscientemente facilitem transações significativas para os sancionados” podem sofrer punições, incluindo a proibição de manter contas nos Estados Unidos.

Entre os sancionados estão Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira. Segundo as autoridades americanas, Shimada seria um “elo-chave entre membros do PCC na Flórida e traficantes internacionais”. Ele é acusado de lavar mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos, utilizando criptomoedas para transferir os valores de volta ao Brasil.

Shimada já era alvo de denúncia do Ministério Público de São Paulo, desde julho de 2025, por lavagem de dinheiro ligada ao caso da VaideBet. Já Stella, parente de Victor, é apontada como intermediária na coleta de dinheiro e fornecedora de logística para as operações.

As empresas brasileiras atingidas são a Victory Trading Intermediação De Negócios Cobranças E Tecnologia Ltda, a Pixwave Soluções De Pagamentos Ltda e a Wave Construções Inteligentes Ltda. De Portugal, foi sancionada a Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda.

Gene Lange, subsecretário norte-americano para Terrorismo e Inteligência Financeira, afirmou que a medida visa combater a geração de receitas ilícitas do PCC em solo americano: “O crime organizado no Hemisfério Ocidental não pode ser autorizado a estabelecer operações em solo americano que contribuam para a criminalidade e a ilegalidade”.

Com informações do G1

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