Ex-ministros do STF pressionam Edson Fachin por apuração de crise

Uma carta aberta endereçada ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, foi organizada por ministros aposentados ao longo do último fim de semana. A mobilização incluiu esforços para localizar ex-colegas, inclusive aqueles que se encontram fora do território brasileiro.

Em conversa com o blog, três dos signatários do documento declararam estar “extremamente” preocupados com as consequências das revelações recentes e dos conflitos internos da corte para a confiança institucional do STF.

A articulação sobre o teor do texto começou na metade da semana passada. Entre sexta-feira (4) e sábado (5), foi montada uma força-tarefa para reunir os ministros e finalizar um texto que fosse, ao mesmo tempo, conciso e contundente.

No documento enviado a Fachin, os ex-ministros defendem a realização de uma “imediata e rigorosa apuração”. Os pontos principais do acordo incluem a exigência de uma sessão plenária aberta, visando evitar a ocorrência de novas reuniões fechadas — a exemplo daquela que arquivou indícios apresentados pela Polícia Federal sobre o ministro Dias Toffoli — e a instauração de um inquérito para a apuração ampla dos fatos.

Um dos signatários admitiu, ainda, a existência de preocupações quanto à sucessão na presidência do STF. Há o receio do risco institucional caso Alexandre de Moraes assuma a presidência antes que as evidências surgidas sejam devidamente apuradas. Questionados sobre os nomes que optaram por não assinar a carta, os envolvidos preferiram não comentar.

Esta mobilização ocorre durante a crise mais severa enfrentada pelo STF nos últimos anos. O ponto de partida foi a divulgação, por determinação do ministro André Mendonça, de um relatório da Polícia Federal referente ao caso Master. O documento revelou mensagens e contatos entre membros da Corte, autoridades e o banqueiro Daniel Vorcaro.

A divulgação do relatório intensificou a crise institucional, levando Alexandre de Moraes a solicitar a abertura de investigação contra Mendonça. O presidente do STF, Edson Fachin, assumiu a gestão dos procedimentos do caso, defendendo que a resposta do tribunal seja pautada pelo devido processo legal e reiterando que nenhum membro do Judiciário está acima da Constituição.

A pressão por investigações mais abrangentes cresceu nos últimos dias, tanto interna quanto externamente. Na segunda-feira (7), a carta assinada por 13 ex-ministros — incluindo Rosa Weber, Joaquim Barbosa, Ellen Gracie, Nelson Jobim e Celso de Mello — solicitou a Fachin a convocação de uma sessão pública do plenário. O objetivo é determinar a apuração dos fatos que, na visão dos signatários, colocaram em risco a credibilidade da Corte e das instituições democráticas.

O manifesto evidencia o temor de ex-integrantes do Supremo quanto ao desgaste da imagem do tribunal, criando um novo eixo de pressão sobre a presidência do STF em meio aos embates internos gerados pela crise.

Com informações do G1

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