O líder indígena Betikre Tapayuna, presidente da Associação Cultural Indígena Kapot Jarinã, defende a cultura e a importância de proteger o território da Terra Indígena do Xingu. Em entrevista ao IPAM Amazônia, ele destacou as soluções indígenas para a crise climática, os desafios para a juventude e a preparação para o ano eleitoral.
Tapayuna ressaltou a importância do Acampamento Terra Livre (ATL) 2026, a maior mobilização de líderes indígenas do Brasil, ocorrida em Brasília, como um espaço de fortalecimento da luta por direitos e pela preservação do meio ambiente. “O ATL é muito importante porque reúne povos de várias etnias e de todas as partes do Brasil, fortalecendo nossa luta”, afirmou.
A crise climática é uma preocupação central para a comunidade Kapot Jurinã. Tapayuna relata que os incêndios, antes incomuns na região, se tornaram frequentes, e que a aldeia tem enfrentado dias seguidos de fumaça, afetando principalmente os idosos. Para combater essa ameaça, a comunidade está organizando brigadas e adaptando conhecimentos ancestrais.
O líder indígena enfatiza a importância da colaboração entre povos indígenas e não indígenas, da produção de ciência e do uso de tecnologias, como os sensores de qualidade do ar do IPAM, para monitorar a invasão das queimadas e proteger a saúde da população.

Em ano eleitoral, Tapayuna alerta para a necessidade de os eleitores considerarem as demandas indígenas e respeitarem seus direitos. “Queremos sobreviver, como todos. Se desmatarmos tudo e acabarmos com os rios, ninguém sobreviverá”, declarou.
Com informações do Portal Amazônia.