A colheita da soja começou em Roraima sob forte alerta: a falta de chuvas durante o desenvolvimento das lavouras pode reduzir a produtividade da safra pela metade. Segundo a Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja), o estado pode deixar de colher cerca de 260 mil toneladas do grão, comprometendo a meta inicial de superar 500 mil toneladas.

O impacto financeiro é severo. A Aprosoja estima que as perdas diretas na colheita cheguem a R$ 500 milhões, mas, ao considerar toda a cadeia do agronegócio, o prejuízo para a economia de Roraima pode ultrapassar R$ 2 bilhões. A estiagem, prevista por órgãos de monitoramento e pela Femarh, é atribuída à influência do fenômeno El Niño.
Na zona rural de Boa Vista, a situação já é sentida na prática. Na Fazenda Flórida do Norte, o produtor Lucas Cavalcante relata que, embora as primeiras áreas colhidas tenham tido resultados satisfatórios, a tendência é de queda. “A gente está tendo uma boa produtividade, poderia ser melhor, mas o estado sofreu muito com a seca este ano. Então as primeiras sojas a gente está tendo um bom resultado, mas a tendência daqui para frente é que infelizmente não seja um ano muito bom”, destacou.

A falta de água prejudica as fases críticas de floração e enchimento dos grãos, resultando em sementes menores e menor peso final. Para Lucas, a perda de produtividade na sua propriedade pode chegar a 30% ou mais. “A gente sabia da possibilidade do El Niño, mas acho que ninguém previu que ia cortar tão cedo a chuva. Então assim é um ano muito difícil para o estado”, lamentou o produtor.
Apesar do cenário crítico, o setor tenta se adaptar. Para 2026, a Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi) previa a expansão da área plantada para 144.893 hectares, evidenciando o potencial do estado que, mesmo diante de crises climáticas, busca consolidar sua posição no agronegócio brasileiro.
Com informações do Portal Amazônia.