A operação da Starbucks na Coreia do Sul anunciou, nesta segunda-feira (15), uma medida drástica para conter uma crise de imagem: o fechamento antecipado de todas as suas lojas no país no dia 22 de junho. O objetivo é a realização de um treinamento obrigatório sobre história e sensibilidade social para todos os seus colaboradores.
A decisão foi tomada após a forte reação negativa do público a uma campanha de marketing. A estratégia da empresa foi interpretada como ofensiva às vítimas de uma repressão militar ocorrida em 1980 contra manifestantes que lutavam pela democratização do país.
O Grupo Shinsegae, que detém 67,5% da Starbucks Korea, informou que executivos e funcionários da sede passarão por instruções conduzidas por professores de história e sociologia. Já as unidades de atendimento ao público fecharão às 15h na próxima segunda-feira (22), para que a equipe assista à gravação da sessão.
A crise corporativa teve início com a promoção de uma linha de copos térmicos de aço inoxidável chamada “SS Tank”. A rede declarou o dia 18 de maio como “Tank Day” (Dia do Tanque). O problema é que a data marca o aniversário do levante pró-democracia de 1980 na cidade de Gwangju, no sul da Coreia do Sul.
Naquela época, o movimento foi violentamente reprimido pelo governo militar, com o uso de tropas, tanques e helicópteros, resultando em centenas de mortos e feridos. A associação do produto “tanque” com a data do massacre foi vista como insensível e inadequada.
A indignação aumentou com o uso do slogan “Bata na mesa!”. A frase é associada a uma declaração policial de 1987, usada para encobrir a morte por tortura do estudante ativista Park Jong-chol. Na ocasião, as autoridades afirmaram falsamente que o jovem teria morrido após investigadores “baterem na mesa”.
Diante da gravidade do erro de marketing, o Grupo Shinsegae cancelou a campanha em poucas horas e demitiu o CEO da Starbucks Korea. O presidente do grupo, Chung Yong-jin, pediu desculpas em rede nacional, enquanto a polícia abriu uma investigação após denúncias de familiares das vítimas de Gwangju.
Este é o primeiro fechamento coletivo de lojas desde a chegada da marca ao país, em 1999. A empresa afirma que a medida demonstra a seriedade com que encara a controvérsia. A repressão de Gwangju ocorreu após o general Chun Doo-hwan assumir o poder via golpe em 1979, deixando um rastro de violência que só começou a ser superado com a transição democrática em 1987.
Com informações do G1