Redes amazônicas avançam na implementação dos Núcleos de Desenvolvimento da Sociobioeconomia

Representantes das seis redes amazônicas que debateram sociobioeconomia após edital. Foto: Divulgação/ FAS

As seis Redes selecionadas pelo Edital de Seleção de Redes para a Criação de Núcleos de Desenvolvimento da Sociobioeconomia avançam para uma nova etapa de atuação na Amazônia Legal. Formadas por associações, cooperativas, organizações comunitárias, instituições de pesquisa e parceiros técnicos, elas atuarão no fortalecimento de negócios, cadeias produtivas e iniciativas conduzidas por povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares. 

Os Núcleos funcionarão como pontos de articulação territorial, conectando organizações locais a serviços de assistência técnica, formação, inovação produtiva, acesso ao crédito, gestão, comunicação, empreendedorismo, políticas públicas e mercados na sociobioeconomia.

No início de julho, representantes das Redes participaram, em Brasília (DF), de uma formação realizada no âmbito do Projeto Sociobioeconomia na Amazônia, iniciativa promovida pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), com financiamento do Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW). O encontro alinhou os procedimentos técnicos, administrativos e financeiros dos projetos e permitiu a troca de experiências de sociobioeconomia entre organizações de diferentes territórios. 

A bioeconomia é interpretada de acordo com as necessidades e visões de cada país ou região. Foto – Ronaldo Rosa

Desafios e expectativas dos territórios

No Território da Sociobioeconomia de Portel, no Marajó paraense, a distância das comunidades e a dificuldade de acesso às políticas públicas estão entre os principais desafios. A Rede pretende ampliar a participação de associações, cooperativas, sindicatos e negócios comunitários nos espaços de decisão e nas iniciativas de desenvolvimento territorial.

“Esperamos fortalecer um coletivo capaz de acessar e implementar políticas públicas de interesse das comunidades e dos negócios locais, inserindo sindicatos, cooperativas e associações nos diálogos e debates territoriais”, afirma Katiuscia Miranda, Analista Socioambiental do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB).

No Amazonas, as organizações do TSBio Juruá-Tefé apontam a logística, a falta de infraestrutura e as dificuldades para o escoamento da produção como obstáculos para a valorização dos produtos da sociobiodiversidade. A expectativa é que o Núcleo ajude a aproximar os produtores de novos mercados, melhorar as condições de comercialização e fortalecer a atuação coletiva das organizações locais.

“O Núcleo pode ajudar a buscar novos mercados, negociar a nossa produção por um preço melhor e ampliar o acesso às políticas públicas. Esperamos construir cada vez mais esse espírito de coletividade, união e parceria, porque é assim que conseguiremos superar os obstáculos”, destaca Pedro Canizio Oliveira da Silva, vice-presidente da Federação dos Manejadores e Manejadoras de Pirarucu de Mamirauá (FEMAPAM), integrante do TSBio Juruá-Tefé.

Cada Rede poderá receber até R$ 11,7 milhões para implementar suas ações ao longo de quatro anos. Os recursos serão direcionados ao fortalecimento das organizações, dos negócios comunitários e das cadeias produtivas da sociobiodiversidade.

Foto: Ronaldo Rosa

Para o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a atuação de organizações que já conhecem as realidades locais permitirá direcionar políticas públicas e investimentos de maneira mais efetiva, considerando as necessidades e potencialidades de cada território.

“São essas pessoas e organizações que vivem e fazem a bioeconomia acontecer nos territórios. Dar condições para que esses grupos se organizem e fortaleçam a gestão e o desenvolvimento da produção é uma forma de reconhecer quem, de fato, contribui para conservar a floresta em pé”, afirma Bruna De Vita, Diretora do Departamento de Políticas e Estímulo à Bioeconomia do MMA.

Segundo o superintendente-geral da FAS, Virgilio Viana, a implementação dos Núcleos também deverá contribuir para agregar valor aos produtos da floresta e ampliar a renda das populações amazônicas.

“Queremos contribuir para que a produção da sociobiodiversidade tenha mais valor agregado, alcance novos mercados e gere mais renda para povos indígenas, comunidades tradicionais, quilombolas e agricultores familiares que vivem e protegem a floresta”, afirma.

Próximos passos

Após os alinhamentos realizados em Brasília, as Redes avançam para a implementação dos seus Planos de Desenvolvimento. A FAS acompanhará a execução dos projetos, oferecendo apoio nos processos de monitoramento, gestão, prestação de contas e busca de soluções para os desafios encontrados nos territórios.

A iniciativa busca consolidar ecossistemas territoriais capazes de ampliar a autonomia das organizações locais e criar condições para que associações, cooperativas e empreendimentos comunitários tenham mais acesso a conhecimento, investimentos, serviços, mercados e políticas públicas.

Sobre o Projeto Sociobioeconomia da Amazônia

O Projeto integra a cooperação entre os governos do Brasil e da Alemanha para implementação da Estratégia Nacional de Bioeconomia (ENBio), que orienta o estímulo a atividades econômicas sustentáveis, valorizando a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos da floresta. A coordenação política é do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), por meio da Secretaria Nacional de Bioeconomia (SBC). A implementação é realizada pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), com financiamento do Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW).

*Com informações da assessoria de comunicação da FAS

Com informações do Portal Amazônia.

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