Beth Goulart voltou a falar sobre um dos períodos mais difíceis de sua vida ao recordar as mortes dos pais, os atores Nicette Bruno e Paulo Goulart. A atriz, diretora e escritora dividiu como enfrentou cada despedida e explicou por que viveu processos de luto completamente diferentes. Logo de cara , Beth refletiu sobre a forma como encara as perdas ao longo da vida.
“A gente passa vários ciclos de nascimentos e mortes na nossa caminhada evolutiva na Terra”, comentou em entrevista ao podcast “Tantos Tempos”. Paulo Goulart morreu em 2014, aos 81 anos, em São Paulo, após enfrentar por quatro anos um câncer renal. Já Nicette Bruno partiu em 2020, aos 87 anos, no Rio de Janeiro, apenas 21 dias depois de receber o diagnóstico de Covid-19.
Além disso, Beth revelou que vivia um momento especial ao lado da mãe quando a pandemia mudou completamente seus planos. As duas escreviam juntas um livro justamente sobre o luto provocado pela morte de Paulo Goulart. “Eu fui convidada pra escrever um livro junto com a minha mãe sobre a perda do meu pai (…) Quando a gente tá começando a escrever o livro, minha mãe pega Covid e partiu”.
Beth Goulart seguiu projeto sozinha e de luto
Depois da morte de Nicette, Beth precisou seguir sozinha com o projeto e também enfrentar um novo impacto emocional. “Então eu fiquei sozinha tendo que lidar com este sentimento duplo, no caso. Eu tinha que, de certa forma, fazer uma comparação entre a perda do meu pai e a perda de minha mãe”, relembrou.
Em seguida, a artista explicou que as circunstâncias das duas despedidas fizeram toda a diferença na maneira como viveu o luto. “A perda do meu pai foi um processo de luta contra um câncer de quatro anos. Então foi um processo longo que, de alguma forma, todos nós nos preparamos pra essa perda. A mamãe foi tirada de nós em 21 dias. Mamãe tava ótima. Ela pegou Covid e em 21 dias, ela partiu”.
Despedidas de Nicette Bruno e Paulo Goulart foram completamente diferentes
Ainda no bate-papo, Beth recordou como familiares, amigos e admiradores conseguiram prestar as últimas homenagens a Paulo Goulart. “O falecimento do papai, nós tivemos dois momentos incríveis que a sociedade toda pôde nos abraçar. Papai foi velado aqui em São Paulo, no Theatro Municipal”.
“Nós tivemos duas missas de sétimo dia, no Rio e em São Paulo, pra que todas as pessoas queridas pudessem ir lá de alguma forma demonstrar seu afeto, seu carinho, nos abraçar fisicamente, inclusive”, apontou. Entretanto, quando Nicette Bruno morreu em 2020, as restrições impostas pela Covid-19 impediram qualquer despedida semelhante.
“A mamãe, por conta da Covid, nós não podíamos receber nenhum abraço. Não se podia tocar uns nos outros. Ela ficou fechada. Então assim… Lutos totalmente diferentes, as duas [dores] muito profundas, muito impactantes. E eu tive que elaborar esses sentimentos e, de alguma forma, a escrita me ajudou bastante”, completou Beth Goulart, por fim.
Fonte: O Fuxico