O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, declarou nesta sexta-feira (21) que o objetivo central do Brasil agora é expandir a relação de produtos isentos do chamado ‘tarifaço’. A afirmação ocorreu após conversa com Jamieson Greer, representante do Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR).
O contato do representante do USTR com o ministro brasileiro aconteceu na sequência do diálogo mantido entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
Durante a ligação, o presidente Lula destacou que a aplicação dessas tarifas prejudica a economia de ambas as nações, reforçando que a continuidade das negociações representa a melhor alternativa para a relação bilateral.
De acordo com nota oficial do Palácio do Planalto, o presidente dos Estados Unidos concordou com a importância de manter as relações comerciais e sugeriu que as equipes técnicas de ambos os governos retomem as reuniões o quanto antes.
“Combinamos de reservar dia e hora para falarmos na semana que vem. Ele disse que era a determinação do presidente Trump. Ficamos de alinhar a primeira conversa. Deveremos ajustar o caminho das negociações. Serão retomados os diálogos diretamente”, afirmou o ministro Márcio Elias.
Entenda o ‘tarifaço’
Há pouco mais de um mês, o governo dos Estados Unidos implementou duas tarifas adicionais sobre produtos brasileiros. A primeira, de 25%, foi aplicada após uma investigação concluir que o Brasil utiliza práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os americanos, citando como exemplos a regulação de plataformas digitais e o PIX.
Posteriormente, foi anunciada uma taxa extra de 12,5% sobre as exportações brasileiras. Esta medida decorreu de outra apuração que considerou desleais as práticas comerciais do Brasil e de outros países, sob a justificativa de falhas na fiscalização e proibição de mercadorias produzidas via trabalho forçado.
Somadas, as duas taxas resultaram em uma alíquota total de 37,5% para parte dos produtos exportados ao mercado dos EUA. No entanto, milhares de itens foram isentos, incluindo commodities essenciais como carne bovina, café e petróleo. Já os setores de açúcar, madeira, máquinas e calçados foram atingidos pela tarifa máxima.
Impactos na economia
A Câmara Americana de Comércio no Brasil (Amcham Brasil) e a Câmara de Comércio dos Estados Unidos estimaram que a tarifa baseada na fiscalização de trabalho forçado dificulta o acesso dos produtos brasileiros ao mercado norte-americano.
Segundo a Amcham, a medida pode afetar cerca de 3 mil itens brasileiros, que representam US$ 12,5 bilhões em exportações anuais para os Estados Unidos.
A entidade alertou que a sobretaxação prejudica a competitividade do Brasil, eleva os custos para consumidores e empresas nos EUA, além de fragilizar as cadeias produtivas integradas e impactar os investimentos entre os dois países.
Com informações do G1